21 de janeiro de 2015

SANGUE HUMANO: UMA MERCADORIA NO SUBMUNDO SOMBRIO!


"O Sonho da Aldeia Ding", do escritor Yan Lianke, é uma ficção que carrega o peso de uma verdade triste. O romance, fundamentado por três anos de pesquisa do autor, conta a história de um vilarejo pobre da China onde o sangue de seus cidadãos é comercializado como qualquer outra mercadoria.
A atividade é exercida sem seguir normas de higiene e causa discórdia entre os aldeões.
Por meio da narrativa, o autor traz à tona os conflitos éticos trazidos pela pobreza extrema, assim como pelo desejo de enriquecimento, e mostra como a ganância termina por drenar e contaminar literalmente a vida da China.
Yan Lianke é considerado um dos principais escritores asiáticos vivo. É também um forte opositor da ditadura que reina em seu país. Foi expulso de lá por causa do livro "A Serviço do Povo", que faz sátíra com as idiossincrasias da população chinesa.
Leia o primeiro capítulo de "O Sonho da Aldeia Ding".
*
Debaixo dos raios do sol poente, a planície do Henan estava vermelha, vermelha como sangue. Era fim de outono. Fazia frio. As ruas da Aldeia dos Ding estavam desertas. Os cães estavam de volta ao seu canto. As galinhas, empoleiradas. As vacas, há muito tempo deitadas no calor dos estábulos.
Nenhum ruído perturbava o silêncio da Aldeia dos Ding. A vida era igual à morte. Silêncio, fim de outono, crepúsculo.
A aldeia e seus moradores haviam definhado, e, como o capim e as árvores da planície, a vida secara: não passava de um cadáver enterrado em seu túmulo.
O vermelho do sangue dera lugar à escuridão da noite. Enfurnados em casa, os aldeões não saíam mais.
Meu avô, Ding Shuiyang, estava de volta da cidade. O ônibus que ligava Weixian, capital do distrito, a Dongjing, capital da província, deixara-o no acostamento da estrada principal como uma folha seca que o outono separa da árvore. O caminho que levava à Aldeia dos Ding fora pavimentado dez anos antes, quando todos os aldeões vendiam seu sangue. Por um instante, meu avô permaneceu imóvel no acostamento da estrada contemplando a aldeia que se estendia à sua frente. O vento trouxe-o de volta à realidade. Depois que embarcara no ônibus para ir à cidade escutar as intermináveis e melífluas exposições dos representantes do governo local, a confusão reinava em seu espírito. Agora tudo parecia claro como o sol nascendo num céu sem nuvens. Assim como é óbvio que as nuvens trazem chuva e o fim do outono traz frio, era óbvio que os aldeões que haviam vendido seu sangue dez anos antes iriam contrair "a febre" e deixar este mundo como as folhas mortas que o vento fazia cair das árvores no outono.
A doença escondia-se no sangue como meu avô imergia em seu sonho. A doença amava o sangue como meu avô amava o sonho.
Meu avô sonhava todas as noites. Fazia três noites que tinha um sonho recorrente. Ele estava em Weixian ou Dongjing. O sangue percorria uma rede de canalizações subterrâneas que se ramificava sob a cidade como uma gigantesca teia de aranha.
Nos locais em que os dutos estavam mal encaixados, o sangue esguichava para cima e caía numa chuva vermelha cujo cheiro irritava o nariz, e sobre toda a planície ele via o sangue brilhar nos poços e nos rios.
Nas cidades e aldeias, os médicos lamentavam sua impotência em refrear os progressos da doença, mas, diariamente, um médico, instalado numa rua da Aldeia dos Ding, esfregava as mãos de alegria. Na aldeia silenciosa, enquanto as pessoas se enterravam em suas casas, esse médico quarentão, sentado embaixo de sua velha sófora, a arca de remédios jazida a seus
pés, ria desbragadamente. Sua risada sonora fazia as árvores estremecerem e as folhas caírem, assim como o vento do outono que não esmorecia.

Quando saía do sonho, as autoridades convocaram meu avô para uma reunião. Como a Aldeia dos Ding havia perdido seu chefe, ele havia sido nomeado para substituí-lo.
De volta da reunião, diversas evidências ficaram claras para ele.
Em primeiro lugar, a doença que chamavam de "febre" tinha um nome: Aids.
Em segundo lugar, aqueles que haviam vendido seu sangue aquele ano haviam sido acometidos pela febre duas semanas depois e deviam forçosamente estar com Aids.
Em terceiro, aqueles que estavam com Aids apresentavam agora os mesmos sintomas de oito ou dez anos antes: uma febre comparável à da gripe, que desaparecia assim que eles ingeriam um medicamento antipirético, mas, três ou cinco meses mais tarde, eles já não tinham mais forças. Manchas e pústulas apareciam em seus corpos. Micoses carcomiam suas línguas e eles começavam a definhar. No fim de três meses, oito meses, muito raramente um ano, morriam. Carregados pelo vento como folhas secas. A luz se apagava e eles não eram mais deste mundo.
Quarta evidência: de dois anos para cá morria uma pessoa por mês na Aldeia dos Ding. Quase todas as famílias haviam perdido alguém. Mais de quarenta pessoas estavam mortas. Os sepulcros erguiam-se como feixes de trigo por toda parte nos campos. Alguns doentes com hepatite ou tísica, mas outros também cujo fígado e pulmões estavam perfeitamente saudáveis, não conseguiam engolir mais nada. Reduzidos ao estado de esqueletos, morriam seis meses mais tarde, depois de haverem cuspido uma bacia cheia de sangue. Carregados pelo vento como folhas secas. A luz se apagava e eles não eram mais deste mundo. Estivessem doentes do estômago, do fígado ou dos pulmões, era para todos a mesma "febre". A Aids.
Quinta evidência: aquela "febre", que no início só afetava os estrangeiros, as pessoas da cidade e os depravados, espalhara- se por toda a China, inclusive pelas aldeias, golpeando agora pessoas de conduta absolutamente inatacável. Como uma revoada de grilos, a doença abatia-se sobre as aldeias.
Sexta evidência: os que estavam doentes achavam-se irremediavelmente condenados. Era a nova doença mortal que golpeava o gênero humano, e o dinheiro nada podia contra ela.
Sétima evidência: aquilo era apenas o começo. A explosão iria produzir-se dali a um ano e atingiria seu paroxismo no ano seguinte. Por ora, dava-se a um homem que morria a mesma atenção que a um cão. Logo sua morte seria tão ignorada quanto a de um pardal, uma traça ou uma formiga.
Em oitavo lugar: eu estava enterrado atrás da escola onde meu avô morava. Quando eu morri, tinha acabado de completar 12 anos. Fui envenenado por um tomate que eu colhera ao voltar da escola. Seis meses antes, alguém dera veneno para nossas galinhas. No mês seguinte, o leitão que minha mãe criava comera um nabo envenenado e morrera. Por fim, eu comera o tomate envenenado largado numa pedra na beira do caminho que eu tinha que percorrer ao voltar da escola. Mal o engoli, tive a impressão de que me rasgavam as entranhas e desabei depois de alguns passos. Meu pai acorreu e me carregou às pressas para casa. Morri cuspindo uma espuma branca assim que ele me colocou na cama.
Eu estava morto, mas não morrera da "febre", isto é, de Aids.
Minha morte resultou da gigantesca coleta de sangue à qual meu pai se dedicara dez anos antes. Eu morrera porque ele se tornara o grande administrador do sangue para a Aldeia dos Ding, a Aldeia dos Salgueiros, a Aldeia das Águas Amarelas, a Aldeia do Segundo Li e outras aldeias da região. Ele era o rei do sangue.
No dia da minha morte, ele não derramou uma lágrima. Primeiro, quedou-se por um instante sentado ao meu lado com meu tio. Em seguida, os dois homens se levantaram e, equipados com uma pá afiada e um machado reluzente, foram se plantar no cruzamento de duas ruas, onde proferiram, com toda a potência de seus pulmões, uma torrente de invectivas destinadas à aldeia.
Meu tio berrou:
- Bando de canalhas, vocês só são bons para envenenarem à socapa, apareçam se tiverem colhões para que eu, Ding Liang, possa lhes arrancar a pele.
Meu pai, agitando sua pá, emendou:
- Vocês todos têm inveja de ver que eu, Ding Hui, sou rico sem ser doente! Tenho certeza! Estão com inveja! Pois bem, eu, Ding Hui, amaldiçoo seus ancestrais até a oitava geração.
Vocês envenenaram minhas galinhas, meu leitão e tiveram a suprema audácia de envenenar meu filho!
Continuaram assim até a noite.
Ninguém se atreveu a aparecer.
Finalmente, me sepultaram

5 de dezembro de 2014

NATAL: SERÁ QUE PAPAI NOEL É REAL PARA TODOS?


NATAL: SERÁ QUE PAPAI NOEL É REAL PARA TODOS?


O Papai Noel não vem pra todos, apesar da falácia publicitária. Inúmeras crianças são frustradas pelo fato de não obterem os presentes tão desejados. Muitos pais se sentem humilhados e constrangidos por não conseguirem comprar os presentes dos seus filhos.

"a publicidade recupera todos os valores para melhor desvalorizá-los e difundir sua ideologia consumista"

O presente, neste caso seria a refeição, a dormida, a segurança, a saúde, a presença familiar, etc., tec.,etc.. 


Nos dias atuais, todos os valores religiosos, sagrados e dogmáticos do Natal, já que estes são os fundamentos da celebração, são profanados pela ideologia capitalista, e as artimanhas publicitárias capitaneadas pela sociedade de consumo que transformaram a celebração natalina em um evento dissociado de seu objetivo primordial.
A prova de amor entre os entes queridos consiste em se dar presentes caros. De acordo com cientistas sociais e pesquisadores “a publicidade recupera todos os valores para melhor desvalorizá-los e difundir sua ideologia consumista. É uma poluição pluridimensional, que não tem outra finalidade se não estimular o consumo dos produtos do sistema industrial, isto é, da matriz de todas as poluições. Nesse sentido, a publicidade é a poluição das poluições”.


A sociedade capitalista é baseada nos signos de consumo, sucesso pessoal e promessas de felicidade mediante a satisfação do gozo. As relações pessoais estão longe de serem calcadas somente na afetividade. Vive-se a era em que o status e os signos das marcas são combustíveis para a aquisição de um pretenso bem-estar existencial. A felicidade interior evadiu-se na sociedade de consumo, poucos são capazes de vivenciá-la plenamente no cotidiano, muitos consideram que o bem-estar efêmero decorrente da fruição dos bens de consumo é a autêntica felicidade, de modo que criam, assim, uma confusão fundamental entre as duas experiências. Conforme a perspicaz análise de Erich Fromm (1900-1980), “a felicidade do homem moderno consiste na emoção de olhar vitrines e comprar tudo o que lhe é possível, à vista ou a prazo”.


A partir do desenvolvimento do regime capitalista, as relações interpessoais passam a ser mediadas pelas coisas, ou seja, quem nada tem nada é; decorre daí todas as distinções sociais provenientes da exaltação das posses materiais. Passamos a projetar nos objetos qualidades fantasmagóricas que interferem imediatamente nas relações sociais, interpondo-se entre os indivíduos, originando-se daí o fenômeno denominado por Karl Marx (1818-1883) como “fetichismo da mercadoria”.


Os objetos adquirem qualidades mágicas que encantam os sentidos dos consumidores, e todas as relações sociais são mediadas por objetos de consumo, que se tornam barreiras entre as subjetividades. Assim, o caráter alienado de um mundo em que as coisas se movem como pessoas, e as pessoas são dominadas pelas coisas que elas próprias criam. A consciência humana projeta para o produto uma espécie de energia oculta que se torna seu objeto de culto sagrado, celebrado nos altares capitalistas das vitrines das lojas.


Consumo: felicidade e angústia


A sociedade de consumo em sua falência ética considera que a morte de um cidadão é menos importante que as vitrines de uma loja atacada pelo clamor popular, e empresários cínicos fazem patéticos rituais fúnebres para os produtos destruídos pela ação revolucionária das multidões, mas sequer se preocupam com as condições de vida dos miseráveis deserdados cotidianamente pelo Estado plutocrático, capitalista. Esse mesmo empresário que condena a luta popular contra a opressão pelo fato de tal revolta prejudicar os seus interesses pecuniários é o mesmo sujeito que oprime o trabalhador impondo-lhe jornadas de trabalho exaustivas em nome do cumprimento de índices de venda exorbitantes, pagando-lhe uma miséria por sua labuta.


Os critérios “morais” da sociedade consumista, herdeira do tecnicismo industrial, consistem na obrigação incondicional do indivíduo se apresentar publicamente como alguém plenamente capacitado a consumir, mesmo que tal ato não resulte na satisfação de uma necessidade básica, imprescindível para o estabelecimento do bem-estar e saúde individual. A lógica consumista faz da disposição de adquirir coisas uma necessidade vital, e o sistema espetacular da propaganda contribui de forma colossal para tal relação fetichista.

O Papai Noel não vem pra todos, apesar da falácia publicitária. Inúmeras crianças são frustradas pelo fato de não obterem os presentes tão desejados. Muitos pais se sentem humilhados e constrangidos por não conseguirem comprar os presentes dos seus filhos. Sendo assim, são consumidores falhos que não cumpriram as metas normativas do capitalismo natalino.


O amor sagrado sucumbiu diante do poder diabólico das mercadorias encantadas. Feliz Natal!?

Fonte: Daniel Mazola é Conselheiro e Secretário da Comissão de Defesa da Liberdade e Direitos Humanos da ABI

NELSON MANDELA: UM ANO DE MORTE!

África do Sul lembra um ano da morte de Mandela



O aniversário de um ano da morte de Nelson Mandela, considerado o maior líder do Continente Africano e um dos principais símbolos mundiais de luta contra a desigualdade racial, será lembrado hoje (5) na África do Sul. Na noite de 5 de dezembro de 2013, o atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou, em rede nacional de televisão, que o primeiro presidente negro do país tinha morrido. "Ele está descansando. Ele está em paz. Nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu um pai", disse Zuma em seu pronunciamento.

Pretória (África do Sul - 11/12/2013) - Sul-africanos foram prestar as últimas homenagens ao ex-presidente Nelson Mandela, no Union Buildings, Palácio do Governo (Marcello Casal Jr/Arquivo Agência Brasil)

Para marcar a data, que também está sendo lembrada em várias partes do mundo, o governo da África do Sul, juntamente com a Fundação Nelson Mandela, realizou nesta manhã - às 8h em Pretória (4h em Brasília) - uma cerimônia nos jardins do Palácio Union Buildings, a sede do governo, aos pés da estátua do ex-presidente, de 9 metros de altura. A homenagem contou com a participação de veteranos da luta pela liberdade e de outros que lutaram com Mandela contra o regime segregacionista do apartheid. Assim como ocorreu durante os três dias do velório, há um ano, os portões do palácio também foram abertos à população.

A fundação e o governo também convocaram igrejas, escolas, fábricas, mesquitas e outras repartições a tocar seus sinos, sirenes, megafones, para chamar a atenção das pessoas e fazer três minutos de silêncio, a partir das 10h (6h em Brasília), em homenagem a Madiba, nome do clã de Mandela e pelo qual era carinhosamente chamado. Em Joanesburgo, no Estádio Bidvest Wanderers, será realizada, a partir das 18h30 (14h30 em Brasília), uma partida espetáculo entre as seleções nacionais de Rugby e de Cricket, dois dos esportes mais populares na África do Sul, com shows ao vivo de artistas locais e sessão de autógrafos após o jogo, cuja renda será revertida para a Fundação Nelson Mandela.

O governo também convidou os sul-africanos a vestirem hoje sua blusa favorita e outras recordações com a imagem de Mandela. Pelo Twitter e Facebook, incentivou pessoas de todo o mundo a compartilhar memórias de Madiba, postando fotos, vídeos e histórias relacionadas a ele com a hashtag #RememberMandela. Em seu site, a Fundação Nelson Mandela, oferece um espaço para que as pessoas façam seu tributo a Madiba e possam ler as mensagens deixadas por pessoas de todo o mundo.


Depois de ficar 27 anos na prisão por sua militância contra o regime de segregação racial doapartheid, Mandela foi libertado em 1990. Após quatro anos, com a insustentabilidade do regime vigente e a realização das primeiras eleições em que os negros tiveram direito a voto, Madiba foi eleito pelo povo. Sua vitória levou à implementação da mais importante transição política dos tempos modernos, em um esforço de reconciliação das raças e refundação do país, transformando-o no “Pai da Pátria” e líder político global, levantando a bandeira da paz e também do combate à aids, doença que atinge cerca de 20% da população adulta da África do Sul.

A reportagem da Agência Brasil viajou à África do Sul logo após a notícia da morte de Nelson Mandela e registrou os principais momentos daquele que é considerado o maior funeral deste século, com a presença de quase 100 chefes de Estado e de governo, além de dezenas de personalidades mundiais e ex-presidentes de diversas nações. Nas matérias e na galeria de fotos mostra a emoção da população, as imensas filas enfrentadas para dar o último adeus ao principal líder africano e as homenagens prestadas.

4 de dezembro de 2014

SEREIAS: OS MISTÉRIOS DO OCEANO


Você já deve ter se perguntado se alguma criatura mítica ou fantástica existe de fato, ou se essas figuras são fruto da imaginação de algum louco ou artista. 
Há múltiplas explicações que justificam a Hipótese do Macaco Aquático, entre elas:
1. O fato de sermos os únicos primatas que não tem o corpo totalmente recoberto por pelos, uma condição só existente em ambientes aquáticos ou subterrâneos.
2. Os humanos são os únicos mamíferos bípedes. Essa transformação não ocorreria facilmente na savana africana, onde evoluíram os primeiros homens. Já na água, o corpo humano tende a manter essa posição.
3. A respiração do ser humano é diferente da de outros mamíferos, já que temos a capacidade de controlá-la voluntariamente. Tal como os mamíferos marinhos, podemos inalar o ar necessário para mergulhar e depois voltar à superfície para respirar.
4. Assim como os mamíferos aquáticos, e ao contrário dos terrestres, os humanos possuem uma reserva de gordura que retêm durante todo o ano.
5. As lágrimas, a sudorese excessiva e a porção de pele que separa o polegar do dedo indicador sugerem antepassados aquáticos segundo os adeptos da teoria.
6. Por último, nossa facilidade de nadar, em comparação à falta de jeito de muitos mamíferos terrestres na água, sugere que evoluímos de seres aquáticos.

As sereias são seres descritos minuciosamente em relatos, livros e filmes, mas será que elas existem ou existiram em um passado remoto?
Uma das teorias é a Hipótese do Macaco Aquático: ancestrais mais ou menos próximos dos humanos teriam adotado, durante um certo período, um estilo de vida semiaquático na costa africana, seja pela necessidade de buscar alimento na água ou de defender-se de predadores.
De qualquer modo, esse fato pode ter influenciado sua evolução, gerando uma subespécie anfíbia, enquanto outros hominídeos mantiveram uma existência puramente terrestre.
Embora tenha sido abandonada ao longo dos anos, ao menos três estudiosos – Max Westenhofer, ideólogo, Sir Alister Hardy, biólogo marinho, e Elaine Morgan, escritora feminista – se dedicaram a desenvolver essa teoria.
As sereias teriam uma linguagem tão complexa e desenvolvida como a dos humanos.
Os detratores descartam a teoria enfatizando, por exemplo, que existem muitos mamíferos aquáticos totalmente peludos, como lontras e castores. Por outro lado, nenhum mamífero aquático é bípede, e o mais importante, em nenhum momento foram encontrados vestígios fósseis que comprovem a existência de “macacos aquáticos” ou sereias.
No entanto, nos últimos anos, diversas pesquisas sugerem a possibilidade de existirem criaturas aquáticas com uma linguagem tão complexa como a do ser humano, o que fez ressurgir a hipótese das sereias.
Segundo novos estudos, alguns hominídeos podem ter passado por uma adaptação evolutiva ao ambiente aquático, transformando as duas pernas em uma cauda que lhes permitisse nadar com mais facilidade.
E você, no que acredita? Será que as sereias existem mesmo?


FMI - FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL E OS EUA FIZERAM O QUE COM O OURO DE FORT KNOX?


Será que ainda existe um único grama de ouro real em 
FORT KNOX ?



O OURO dos EUA desapareceu !
Posted by Thoth3126 on 30/07/2014


O Chefe do FMI, Strauss-Kahn, foi preso porque descobriu que o OURO dos EUA não existe mais, SUMIU, DESAPARECEU. 

“A liberdade de uma democracia não é segura se o povo tolera o crescimento de poder privado ao ponto de tornar-se mais forte que o próprio Estado democrático. Isto, em essência, é fascismo – o apossamento do governo por uma pessoa, por um grupo, ou qualquer poder privado de controle.” –Presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt.


(Parece que por lá tudo é falso, desde as barras de ouro até o próprio presidente.)

Tradução,edição e imagens: Thoth3126@gmail.com

O Ouro dos EUA desapareceu, sumiu. O Chefe do FMI, Strauss-Kahn, foi preso porque descobriu que o OURO dos EUA não existe mais, SUMIU, DESAPARECEU. 


                                               
De acordo com um relatório do FSB, o Diretor Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI ) Dominique Strauss-Kahn tinha se tornado “cada vez mais preocupado” depois que os Estados Unidos começaram a “enrolar” na sua prometida entrega DEVIDA ao FMI de 191,3 toneladas de ouro acordados no âmbito da segunda alteração dos artigos do acordo assinado pelo Conselho Executivo do FMI em Abril de 1978 que estavam sendo vendidos para financiar os chamados Direitos de Saque Especiais ( DSE ) como uma alternativa ao que é conhecido como a reserva de moedas.

Um novo relatório preparado para o primeiro-ministro Putin pelo Serviço de Segurança Federal russo ( FSB ), afirma que o agora ex-Diretor Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI ), Dominique Strauss-Kahn, que foi acusado e preso nos EUA por alegados crimes sexuais contra uma camareira do hotel em que estava hospedado, foi porque ele “apenas descobriu“ que todo o ouro que deveria estar depositado nos Bullion Depository dos EUA em FORT KNOX esta ‘faltando e/ou desapareceu” (foi totalmente ROUBADO).

Em dúvida sobre os motivos da prisão, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acredita que Dominique Strauss-Kahn, foi vítima de uma conspiração obscura. Este relatório do FSB afirma ainda que Strauss-Kahn comentou suas preocupações com funcionários do governo norte-americano próximos ao presidente Obama de que havia sido “contatado” por “elementos marginais” de dentro da CIA-Agência Central de Inteligência, que lhe forneceram ‘fortes indícios’ de que todo o ouro que os EUA possuía desapareceu, ”foi embora, sumiu”.


Será que ainda existe um único grama de ouro real em FORT KNOX ?

Após Strauss-Kahn receber as provas de agentes dissidentes da CIA, ele fez arranjos imediatos para deixar os EUA e ir para Paris, mas quando foi contatado por agentes que trabalham para a agência francesa de inteligência, a Direção General de Segurança Externa ( DGSE ) na França, foi informado de que as autoridades americanas já estavam em busca de sua captura, ele fugiu às pressas para o aeroporto JFK de Nova York seguindo às instruções desses agentes franceses para que não usasse mais seu telefone celular (abandonado no hotel), porque a polícia dos EUA poderia rastreá-lo e conseguir a sua localização exata (o que aconteceu de qualquer forma).

Depois que Strauss-Kahn estava acomodado em segurança em um vôo da Air France para Paris, já dentro do avião, no entanto, ele cometeu um ‘erro fatal’, chamando o hotel a partir de um telefone de dentro do avião para pedir-lhes que enviassem o celular que tinha sido deixado para trás para a sua residência francesa, sendo assim que os agentes dos EUA foram capazes de localizá-lo e imediatamente prendê-lo.


Mahmoud Abdel Salam Omar, no centro da foto no momento da sua prisão pela mesma acusação de estupro. 

Na primeira quinzena de maio, Strauss-Kahn solicitou a ajuda para seu amigo e alto banqueiro egípcio Mahmoud Abdel Salam Omar para retirar as provas do roubo do ouro dos EUA de dentro desse país, provas que lhe foram dadas pelos agentes da CIA. Omar, no entanto, e exatamente como Strauss-Kahn antes dele, foi também foi preso e acusado pelos EUA, também com um crime sexual (n.t. a mesma acusação sofrida por Julian Assange, do Wikileaks, por ter revelado segredos dos EUA em seu site), contra uma empregada de hotel de luxo, uma acusação que o FSB rotula como ‘inacreditável’ devido a Mahmoud Abdel Salam Omar ser já um senhor de 74 anos de idade e um Muçulmano devoto.

Em um movimento surpreendente muito intrigante em Moscou, Putin após a leitura deste relatório do FSB, ordenou então que fosse colocado no site oficial do Kremlin uma declaração do governo em defesa de Strauss-Khan, se tornando assim noprimeiro e único líder mundial a declarar que o chefe do FMI, foi vítima de uma conspiração do governo dos EUA. Putin afirmou ainda, “É difícil para mim avaliar a política e os motivos ocultos, mas eu não posso acreditar que ele cometeu os atos de que ele foi inicialmente acusado. Não parece ser esse o motivo de sua prisão em minha mente.”




Também é interessante perceber em todos esses acontecimentos é que um dos principais Deputados dos EUA, Ron Paul e um candidato presidencial nas eleições dos EUA em 2012 há muito tempo declarou sua crença de que o Governo dos EUA vem mentindo sobre suas reservas de ouro mantidas em Fort Knox.

O Deputado republicano Ron Paul esta tão preocupado com as reservas legais de ouro do governo dos EUA e de que o Federal Reserve esta escondendo a verdade sobre as reservas americanas de ouro, que ele apresentou um projeto de lei no final de 2010 para forçar uma auditoria externa nesses dois orgãos que detém o ouro dos EUA, mas que posteriormente foi derrotado em votação na Câmera dos deputados pelas forças que sustentam o regime de Barack H. Obama.

Quando diretamente questionado pelos repórteres se ele acreditava que não havia mais ouro em Fort Knox ou na Reserva Federal, o deputado Ron Paul deu a resposta incrível, “Eu acho que é uma possibilidade“.

Também é interessante de se notar é que apenas 3 dias depois da prisão de Strauss-Kahn, o deputado Ron Paul fez uma nova chamada para os EUA vender suas reservas de ouro, ao afirmar, “Dado o alto preço em que o ouro esta hoje, e o problema da dívida interna enorme que temos agora, por todos os meios, deveríamos vender no pico dos preços altos.”


FORT KNOX onde deveriam estar depositados o ouro REAL dos EUA e não barras falsas.

Alguns relatórios da situação bizarra sobre o ouro do país, emanados dos EUA nos últimos anos, no entanto, sugerem que não há mesmo nenhum ouro para ser vendido, como se pode ler como foi postado em 2009 no site de notíciasViewZone.Com:


“Em outubro de 2009, a China (o maior credor da dívida pública dos EUA) recebeu um carregamento de barras de ouro. O ouro é usado para regular as trocas entre os países para pagar dívidas e para liquidar os chamados saldos de balança de comércio entre países. A maior parte do ouro é trocada e armazenada nos cofres sob a supervisão de uma organização especial e mundial com sede em Londres, a London Bullion Market Association (ou LBMA). Quando a remessa foi recebida, o governo chinês pediu que os testes especiais fossem realizados para garantir a pureza e o peso das barras de ouro. Neste teste, quatro pequenos furos são perfurados nas barras de ouro e o metal é então analisado. 

Os funcionários da LBMA ficaram chocados ao saber que essas barras pertencentes à CHINA eram FALSAS !!. Elas continham núcleos de tungstênio, com apenas uma finíssima camada externa de ouro verdadeiro. Além do mais, essas barras de ouro, contendo números de série para seu rastreamento e identificação, tinham como origem os EUA e tinham sido guardadas em Fort Knox durante anos. Foram relatadas entre 5.600 a 5.700 barras falsificadas, pesando 400 onças cada uma (1,134 quilos cada barra), na transferência!”




Qual será o desfecho final da história de Strauss-Kahn não está em nosso conhecimento, mas novos relatórios provenientes dos Estados Unidos mostram a sua determinação de não desistir de sua defesa sem uma luta e que para isso ele contratou o que é descrito como uma “equipe da pesada’ de ex-agentes da CIA,investigadores privados e consultores de mídia para defendê-lo.

Para todos os efeitos práticos sobre a economia global, se deveria ser (de que forma?) investigado para provar que os EUA, na verdade, está mentindo sobre suas reservas de ouro. A capacidade do povo norte americano para saber a verdade sobre essas coisas, é como sempre, impedida pelas falsidades dos seus órgãos de comunicação controlados, deixando-os em perigo de não estarem preparados para oterrível colapso (PROVOCADO) econômico de sua nação que agora se acredita acontecerá mais cedo do que mais tarde.

15 de outubro de 2014

DIA DO PROFESSOR: MUITO OU POUCO A COMEMORAR?



15 DE OUTUBRO Um dia com, ainda, muito pouco para comemorar!! 
No Brasil, ser profissional de educação é, antes de tudo, um ato de extrema valentia e determinação. 
Tivemos avanços pontuais mais nada que represente o que de fato o país precisa para valorização real da educação, da produção do conhecimento, da formação de estudantes críticos e conscientes do seu papel para a sociedade e o estado. 
A profissão passa por uma crise que tem sua origem, desde as reformas da educação nas décadas passadas, até os dias atuais.
É nítida a precarização da carreira (contratação de REDA's e PST's); 
Problemas na qualidade da formação acadêmica disponível hoje nas universidades (repletos de lacunas lógicas, descontextualizados, sem ferramentas para lhe dar com os desafios da contemporaneidade, desatualizados e com poucos fundamentos); 
Falta de Planos de Carreiras que garantam o desenvolvimento profissional adequado e as garantias remuneratórias capazes de manter o professor motivado, inovador e criativo; 
A perda da referência familiar pelos jovens, onde os pais e mães assumem hoje, apenas, o papel de provedores econômicos e ainda culpabilizam os professores pelos problemas e fracassos da formação familiar e de cidadania dos seus filhos, aumentando a pressão e cobranças para que o professor preencha esta lacuna familiar; 
Falta de interesse dos jovens pela carreira de professor, basta verificar a queda na busca por cursos de licenciaturas nos diversos vestibulares pelo país, (Relato de Roberto Leão - Presidente da CNTE); 
Desconstrução sistemática do papel e da imagem do profissional da educação - neste caso - principalmente a figura do "Mestre" e consequente aumento das diversas formas de violência, dentro e fora das salas de aulas; 
O desinteresse dos professores pela política, fundado na descrença pelo modelo representativo, pautado pelo pluralismo político, tendo nos partidos a maior expressão deste modelo. (só pra exemplificar, os candidatos que se intitularam professores e se candidataram a cargos eletivos nas eleições estaduais deste ano 2014, nenhum, ou quase nenhum teve votação significativa capaz de alcançar o legislativo ou executivo, mesmo num estado que tem um numero de professores suficientes para eleger vários deputados estaduais e federais, considero aqui os professores da educação pública e privada de todo estado);
Não quero aqui desestimular ou, apenas apontar os problemas, mas considero, como professor que sou, que o caminho é longo e os problemas são muitos. A mudança deste cenário vai exigir que atuemos cada dia mais próximos dos alunos dos pais e das mães, mas principalmente, dos nossos representantes e dos que, de fato defendam a educação e seus atores. A mudança sem participação nos fóruns representativos, dificilmente ocorrerão, logo, é preciso sim nos engajarmos e disputar os espaços de decisão e, principalmente, garantirmos que a educação seja tratada como prioridade e como política estratégica de estado, só assim será possível transformar a realidade social, política e econômica do nosso país.

20 de agosto de 2014

Marilena Chauí: “É um crime o currículo Lattes”


Esquema de transição conduzido pela oligarquia resultou na escolha de um“tirano”, diz Ciro Correia ao abrir os trabalhos.



A universidade brasileira submeteu-se à ideologia neoliberal da sociedade de mercado, ou “sociedade administrada” (Escola de Frankfurt), que transforma direitos sociais, inclusive educação, em serviços; concebe a universidade como prestadora de serviços; e confere à autonomia universitária o sentido de gerenciamento empresarial da instituição.
Em repetidas manifestações, o reitor da USP revela seu “lugar de fala”, sua afinação com esse ideário, ao recorrer ao vocabulário neoliberal utilizado para pensar o trabalho universitário, que inclui expressões como “qualidade universitária” (definida como competência e excelência e medida pela “produtividade”) e “avaliação universitária”. Foi o que sustentou a professora Marilena Chauí ao proferir sua Aula Magna sobre o tema “Contra a Universidade Operacional”, em 8/8, que lotou com centenas de pessoas o auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP).
Nesse contexto, a USP, como suas congêneres, transformou-se numa “fábrica de produzir diplomas, teses”, tendo como parâmetros os critérios da produtividade: quantidade, tempo, custo. “Esse horror do currículo Lattes. É um crime o currículo Lattes! Porque ele não quer dizer nada. Eu me recuso a avaliar alguém pelo Lattes!”, disse Marilena. As frases fortes mereceram da plateia aplausos entusiasmados.
“Vejo as pessoas desesperadas porque perderam 7 ou ganharam 7 da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior]. Não significa nada. ‘Quero ser 7 porque Porto Alegre é 7’. A gente incorporou a competição pelas organizações, pela eficácia”, destacou Marilena. Mais tarde, acrescentou: “Fuvest e Lattes são a prova da estupidez brasileira”.
“Tirano”
Antes da Aula Magna, o professor Ciro Correia, presidente da Adusp, fez um rápido discurso sobre a gravidade da crise em curso na USP. Ele chamou a atenção do auditório para “o ataque explícito da Reitoria e do governo estadual à concepção que sempre defendemos: de implantação e desenvolvimento de uma universidade democrática, pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada”.
Ciro disse que a administração da universidade “se sente à vontade para governar à revelia de qualquer preocupação com legitimar suas diretivas, ou sequer chancelá-las nas instâncias internas de deliberação, por mais inadequadas que sejam”, e criticou com dureza a oligarquia que controla a USP: “O processo que chegou a ser referido como ‘a rebelião dos diretores’, que conduziu ao esquema de transição nos marcos da reunião do Conselho Universitário de 1º de outubro de 2013, supostamente para nos salvar da perspectiva de continuidade da descontrolada gestão anterior, acabou por definir um amplo espectro de apoios para uma candidatura que, como todos podem constatar, nos outorgou antes um tirano do que um reitor”.
Por fim, o presidente da Adusp conclamou os presentes a se engajarem com determinação no movimento de greve, seja cobrando posições dos colegiados “quanto às ações ilegítimas e violentas da Reitoria, como no caso do inaceitável confisco dos salários decorrente dos cortes do ponto dos funcionários”, seja participando “da nossa caminhada do próximo dia 14 de agosto, no início da tarde, seguida de ato conjunto das universidades e do Centro Paula Souza diante do Palácio dos Bandeirantes”.
Fragmentação
Na sua exposição de uma hora, a professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) esmiuçou o processo por meio do qual a universidade pública brasileira vem sendo transformada e descaracterizada, desde os anos 1970, deixando de ser uma instituição social para tornar-se uma organização, isto é, “uma entidade isolada cujo sucesso e cuja eficácia se medem em termos da gestão de recursos e estratégias de desempenho e cuja articulação com as demais se dá por meio da competição”.
A “universidade operacional” corresponde à etapa atual desse processo, segundo Marilena. De acordo com ela, “a forma atual de capitalismo se caracteriza pela fragmentação de todas as esferas da vida social, partindo da fragmentação da produção, da dispersão espacial e temporal do trabalho, da destruição dos referenciais que balizavam a identidade de classe e as formas da luta de classes”. A passagem da universidade da condição de instituição social (pautada pela sociedade e por uma aspiração à universalidade) à de organização insere-se, diz Marilena, “nessa mudança geral da sociedade, sob os efeitos da nova forma do capital, e no Brasil ocorreu em três etapas sucessivas, também acompanhando as sucessivas mudanças do capital”.
Na primeira etapa (anos 1970, “milagre econômico”), a universidade tornou-se “funcional”, voltada para o mercado de trabalho, sendo “prêmio de consolação que a ditadura ofereceu à sua base de sustentação politico-ideológica, isto é, à classe média despojada de poder”; na segunda etapa (anos 1980), passou a ser “universidade de resultados”, com a introdução da ideia de parceria com as empresas privadas; a terceira etapa (anos 1990 aos dias de hoje), em que virou “universidade operacional”, marca o predomínio da forma organização, “regida por contratos de gestão, avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível”, estruturada por estratégias e programas de eficácia organizacional e “por normas e padrões inteiramente alheios ao conhecimento e à formação intelectual”.
A tecnocracia associada a esse modelo, explicou, “é aquela prática que julga ser possível dirigir a universidade segundo as mesmas normas e os mesmos critérios com que se administra uma montadora ou um supermercado”. De modo que se administra “USP, Volks, Walmart, Vale do Rio Doce, tudo da mesma maneira, porque tudo se equivale”.
Metamorfose
“A metamorfose da universidade pública em organização tem sido o escopo principal do governo do Estado de São Paulo”, denunciou Marilena. Ela argumentou que a reforma do Estado adotada pelo governo FCH (1995-2002) e efetivada pelos governos estaduais do PSDB, particularmente o de São Paulo, pautaram-se pela articulação com o ideario neoliberal (Estado mínimo, privatização dos direitos sociais) e, no caso do ensino superior, realizaram a agenda de mudanças preconizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a reestruturação das universidades da América Latina e Caribe, em 1996, e baseada na redução das dotações orçamentárias públicas às instituições de ensino superior.
“Penso que a expressão perfeita dos desígnios do governo do Estado e do BID se encontra na carta enviada pelo reitor da USP aos docentes em 21 de julho de 2014”, afirmou a professora. “Sei que se tem debatido a falsidade dos números apresentados por ele, a manipulação. A carta me interessa pelo vocabulário que ele usa. Ele começa a carta se referindo a nós como o custeio. Somos o custeio, não somos o esteio da Universidade. A partir daí já está tudo dito. Ele não começa pelas obras que foram feitas sem necessidade, pelo esparramamento da USP pela cidade. Não. Ele começa por nós”, enfatizou.
“O reitor não está usando essa linguagem porque caiu de paraquedas no mundo e equivocadamente fala nessa linguagem. Ele tem uma concepção de universidade, uma concepção política, uma concepção do conhecimento, uma concepção do saber. Minha fala vai na direção de localizar o que é que tornou possivel a um reitor da USP dizer as coisas que ele diz”.
Ao longo da leitura do texto que preparou para a ocasião, Marilena fugiu do roteiro para fazer comentários bem-humorados e sarcásticos que provocavam gargalhadas ou fortes aplausos do auditório. “O PSDB é o filho revoltado do MDB. Eles estão aí há 30 anos! Eu quero alternância de governo”, disse, ao comentar conversa que manteve com um grupo de jovens.
A Aula Magna foi coordenada pelo professor João Zanetic (IF) e pela professora Priscila Figueiredo (FFLCH), que mediaram intervenções e perguntas de participantes à professora Marilena Chauí.

Foto: Daniel Garcia
Fonte: ADUSP, Seção Sindical do ANDES-SN

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