29 de junho de 2015

JUIZES FEDERAIS SAEM EM DEFESA DE MORO CONTRA A TENTATIVA DE RETALIAÇÃO DA ODEBRECHT

Os procuradores da República que atuam na força-tarefa Lava Jato saíram em defesa aberta do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da operação sobre desvios, corrupção e cartel das maiores empreiteiras do País na Petrobras.
Em 'nota à imprensa', os procuradores manifestaram 'total apoio' a Moro, titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, diante de entrevista da criminalista Dora Cavalcanti, publicada dia 27 de junho no jornal O Globo ("Advogada da Odebrecht estuda denunciar juiz da Lava-Jato por 'violação aos direitos humanos").
"A entrevistada parece desconhecer que o sistema judicial brasileiro prevê vários recursos e diversas instâncias recursais, tendo os investigados inúmeras possibilidades de obter a revisão das decisões tomadas pelo Juízo Federal, não sendo razoável, muito menos respeitoso ao sistema republicano, que sejam lançadas, por meio de notas ou entrevistas como aquelas recentes, acusações vagas, desrespeitosas e infundadas à atuação do juiz federal Sérgio Moro", argumentam os procuradores.
Segundo a força-tarefa "a afirmativa (de Dora) de que pretende recorrer a uma Corte Internacional para a garantia do direito de seus clientes sugere, fortemente, que os dez delegados, os nove procuradores, o juiz federal, a Corte de primeira instância, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e os ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal estão mancomunados para violar direitos humanos dos seus clientes, o que é de uma total irresponsabilidade, senão desespero".
"Essa abordagem conspiratória, já refletida em entrevista anterior, negligencia a independência, maturidade e imparcialidade de nossas Cortes, refletindo estratégia que procura reverter, no campo midiático, as inegáveis evidências em desfavor da cúpula da empresa", prossegue o texto divulgado pelo Ministério Público Federal.
"Em uma República, não se deve pretender que a justiça seja cega para os crimes praticados por ricos e poderosos, mas sim cega na diferenciação entre ricos e pobres, pessoas com ou sem influência, fatores que em nada devem afetar o resultado dos processos", assinalam os procuradores.
A força-tarefa atribui 'abordagem superficial e interessada' à entrevista da criminalista. Os procuradores observam, por exemplo, a existência de "farta prova material dos crimes praticados" pelos alvos da 14ª fase da Lava Jato, a Operação Erga Omnes, entre eles o presidente da maior empreiteira do País, Marcelo Odebrecht.
"Foram, a título de exemplo, apreendidas planilhas com divisão das obras por empresa, nas quais constava a empresa Odebrecht como parte do "clube" de empreiteiras cartelizadas", afirmam os procuradores.
"Dezenas de milhões de dólares pagos por empresas no exterior aos funcionários da Petrobras foram bloqueadas e devolvidas. Tal é a robustez das provas que várias das empresas não colaboradoras já reconhecem boa parte dos crimes praticados. A insistência da Odebrecht, bem como de seus advogados, em negar a realidade, a ausência de apuração dos fatos na empresa e a falta da aplicação pela empresa de qualquer sanção àqueles que praticaram os crimes apenas confirma as demais evidências de que a corrupção era determinada e praticada na cúpula da empresa. Não se trata de prejulgar mérito ou investigados, mas de repetir juízo sobre as provas já feito, em caráter provisório, em processo público, em pedidos de medidas cautelares."
Os procuradores abordam a delação premiada, mecanismo que tem sido usado em larga escala pela força-tarefa, mas duramente contestado por defensores dos empreiteiros.
Eles se reportam, ainda, ao Caso Banestado, complexa investigação do Ministério Público Federal que desmontou esquema de evasão de divisas da ordem de US$ 30 bilhões.
"Ao contrário do que sugere a advogada, os acordos de colaboração premiada são de responsabilidade do Ministério Público Federal, não do juiz. O número de colaborações no presente caso decorre de vários fatores, sobretudo da robustez das provas em relação aos investigados, da experiência prévia dos procuradores com essa técnica de investigação e estratégia de defesa, desenvolvida no caso Banestado; mas principalmente do interesse público envolvido em seu emprego, dadas as peculiaridades do crime de corrupção e a sofisticação das técnicas de lavagem empregadas. O argumento de que prisões foram usadas para obter colaborações não tem qualquer base na realidade, pois mais de dois terços das colaborações foram feitas com réus soltos, fato que a advogada que atua no feito não deve desconhecer."
A 'nota à imprensa' divulgada pela força-tarefa da Lava Jato finaliza. "Cabe às partes, seja no curso do processo penal ou da investigação criminal, quando insatisfeita com alguma decisão, valer-se dos meios processuais adequados e, no caso da defesa, dos inúmeros recursos previstos. Embora todos tenham o direito de expressar sua opinião sobre decisões, não cabe buscar, por meio de acusações absolutamente infundadas na imprensa, e afirmação irresponsável e desconectada da realidade sobre suposto sentimento do juiz, tolher a liberdade da Justiça, que tem o dever de fazer cumprir a lei e a Constituição, com pleno respeito aos direitos e às garantias do cidadão."
A Odebrecht nega taxativamente envolvimento com o cartel das empreiteiras na Petrobras e afirma que nunca pagou propinas.

16 de junho de 2015

REDUÇÃO DA MAIORIDADE: A VERDADE POR TRÁS DAS CORTINAS!

A cadeia não é a única grande sacada econômica da redução da maioridade penal!

A redução não verdade cumpre outro papel!

O projeto de redução da maioridade é nefasto sob diversos aspectos para os jovens brasileiros. Tem uma dimensão da redução da maioridade penal que nem as organizações sociais que atuam no combate a violência contra a mulher e contra a exploração sexual de menores estão atentos!!
Com a redução da maioridade penal, ou seja, dar ao jovem capacidade civil, os jovens, principalmente do sexo feminino passaram a ser responsáveis pelos seus atos e vontades. Isto implica que o turismo sexual, pedofilia - exploração sexual de menores de 18 anos - prostituição infantil, uma chaga secular e sem solução em nosso país. 
Claro que os congressistas não tocarão nestes temas, até porque não é novidade pra ninguém que inúmeros deputados, senadores, seus assessores são:
 Clientes de prostíbulos;
 Sócios de hotéis que tem como principal "produto" para hospedes e turistas, um menu repleto de jovens menores para saciarem seus desejos;
 Financiados por redes sistemáticas e rentáveis do turismo sexual, empresas de jogos de azar, festas badaladas;
Brasília é muito fácil encontrar nos hotéis, prostíbulos disfarçados de "casas de massagens" e "SPA"!!
Ou seja, minha gente, aredução da maioridade traz para a legalidade o submundo da prostituição, turismo sexual, diminui o espectro da pedofilia garantindo assim um mercado obstruído pela legislação, na faixa entre 16 e 18!!
Pensem na TV podendo expor, antes menores, com a redução, "ADULTOS", em cenas picantes, nudez, filmes, propagandas eróticas, usando cigarros, bebendo...
Em fim, a indústria bilionária vai passar o projeto da redução da  maioridade porque a sociedade, infelizmente não tem opinião, a opinião é da imprensa que consegue introjetar na cabeça da população que os menos de 1% de menores que cometeram algum tipo de crime de morte é o culpado pelo caos na segurança pública do Brasil!!
Vamos ter que pagar pra ver, como sempre.

10 de junho de 2015

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA: AVALIAÇÃO DE GESTORES É INEVITÁVEL!

ACHO UM EXCELENTE MOMENTO PARA A UFBA, POR ISSO PENSEI NESTE TEMA E ESCREVI O TEXTO ABAIXO!


Penso que esta greve seja uma excelente oportunidade de refletirmos sobre o modelo de gestão “adotado” pelas IFES, particularmente a UFBA.


Temos hoje um “modelo” de baixa participação dos servidores, estudantes e a comunidade como um todo e de baixa qualidade e baixos resultados. 
A pequena participação decorre do modelo, com ranços patrimonialistas e burocráticos, sem falar no intenso apego aos cargos – decorrentes das necessidades financeiras – o que piora pela inexistência de Plano de Desenvolvimento Institucional, efetivo, construído a partir de princípios de gestão pública, de eficiência administrativa e da transparência da coisa pública.
Se neste momento - de reflexão, da construção através do debate, da abertura da universidade para uma grande interação interna e externa, a fim de proporcionar a construção coletiva dos interesses da UFBA, do conjunto de forças que a compõe, bem como, da disputa por prioridade na agenda do governo, tanto no plano de contas do governo (sob o enfoque Orçamentário), mas também, na agenda voltada para o efetivo reconhecimento das IFES enquanto instituições de interesse estratégico, científico, democratizante do conhecimento, comprometida com a cidadania, com as liberdades individuais e coletivas, com a natureza e a sustentabilidade – pudéssemos avançar em algumas pautas totalmente viáveis, inclusive pelo viés democratizante que, depois de tanto tempo, volta a arejar nossa UFBA, como é o caso da avaliação de lideres, gerentes e coordenadores de órgão, institutos e unidades gestoras. 

                                             "A sociedade não aceita mais uma gestão de portas fechadas!"

Observo que, hoje existe uma avaliação, se é que podemos considera-la como tal, serve apenas para avaliar, individualmente, o servidor e limita-se à garantia de progressão funcional, por mérito, não sendo possível aproveitá-la, se quer, para um diagnóstico da realidade de pessoal, qualificação, desempenho funcional e deficiências envolvendo os ambientes organizacionais. 
Pra piorar, as avaliações sofrem de alguns vícios, não de forma, mas de finalidade, pois, não atende aos fins para os quais foram propostos na norma, Emenda Constitucional 19/98.
Temos outro problema também, no que se refere as chefias e coordenações, assim como acontece com muitos servidores - a avaliação proforma - com os chefes também, seus pares, muitas vezes, só assinam a avaliação, já que são obrigados, caso contrário o servidor deixara de “progredir”, leia-se, receber um percentual em seu contracheque, sem nenhum julgamento quanto ao benefício financeiro, quero deixar claro! 

Vejam que, assim como o servidor, em cargo originário, o servidor ocupante de função de confiança não são avaliados a partir dos atos, atividades, projetos e programas da sua gestão, mas sim, simplesmente, pelo desempenho individual das suas atividades.
Entendo que se as IFES, aqui a UFBA, não se incumbir de estabelecer um plano de avaliação de gestores e lideres, de forma transparente, colegiada, com normas aprovada nos Conselhos Superiores, com agenda própria, metas bem estabelecidas, lastreado por um bom programa de capacitação e formação de Gestores Públicos, toda prioridade que se possa conquistar nas peças orçamentárias e nos eixos social e politico, não conseguirão suplantar a problemática interna corporis. 
Afinal tivemos 12 anos de vacas gorados e olha só no que deu! Tem acertos, avanços, ganhos para a comunidade, sem dúvidas! mas poderíamos ter muito mais, por muito menos e com melhor qualidade!!!



Temos que olhar pra dentro fazermos a autocritica e entendermos que nossa instituição sofre de sérios problemas de falta de gestores, falta investimento em especialização humana e técnica em Gestão Pública, falta estímulo, desafios programáticos e horizonte institucionalizado (objetivos, metas institucionais claras) para os servidores, principalmente o mais novos, já que, na grande parte do tempo, assumir cargos/função significa, ser “jogado aos leões”, viver de apagar incêndios, administrar fatos e ainda uma série de conflitos nos ambientes organizacionais

Escrito por: Antonio Claudio

25 de maio de 2015

UFBA REALIZA ATO POLÍTICO NA REITORIA


UFBA REALIZA ATO POLÍTICO NA REITORIA


O Ato Político de hoje na Reitoria, entrega na mão da categoria um forte instrumento de fortalecimento da greve dos TAE’s.
Não foi oficialmente defendida pelo reitorado e pelo Reitor, a legitimidade, oportunidade e necessidade desta greve, até porque está é uma prerrogativa do movimento, mas a posição assumida, publicamente, hoje não deixa dúvidas sobre o sentimento comum das categorias e da administração central!!
A crise, já do conhecimento de todos, e agora tornada amplamente pública, não é um legado desse reitorado, portanto, coerentemente o Reitor conclama a comunidade acadêmica - leia-se, nos servidores e nossa representação institucional, a ASSUFBA também - e a sociedade para se unirem em favor da universidade, defendê-la e garantir as conquistas da ultima década.
Fica clara a posição politica da Reitoria, já que num momento como este, contar com a força de uma grande greve, tanto de Servidores Professores quanto de Servidores Técnicos Administrativos, será importante para demonstrar força no combate a posição do governo de retrocesso nos investimentos para a Educação Pública brasileira, no nosso caso as IFES. Acumular energia de dois grandes movimentos em favor da universidade e "juntar-se a este movimento" é um gesto de grande habilidade politica e de consciência da grande jornada de enfrentamento com vistas à manutenção da Universidade Pública e dos investimentos necessários para manutenção das atividades e expansão, através dos projetos oriundos do REUNI e outros que esteja em curso.
Sob a perspectiva administrativa, a greve cumpriria vários papéis decorrentes da redução drástica nas cifras custeio da universidade, mesmo que cortando na própria carne.
O folego financeiro resultante permitirá a relocação de recursos para áreas essenciais e possibilitaria também que as equipes de planejamento e ações administrativas dispusessem de maior espaço de tempo para pensar uma “reforma administrativa” que conseguisse conviver, temporariamente, com o cenário restritivo definido como meta no modelo macroeconômico atual do governo federal para os próximos dois anos, sob a justificativa de retomada do crescimento econômico, preservação do emprego e renda, manutenção das baixas taxas de inflação e redução do déficit público e cumprimento das metas fiscais para honrar com compromissos financeiros.

Acho que agora o movimento deslancha, não só os servidores tem interesse na greve, agora ela chega nas instituições é o que nos parece!!!

16 de maio de 2015

GOVERNO SINALIZA COM AUMENTO DOS AUXÍLIOS ALIMENTAÇÃO E CRECHE

Paralelo às discussões das questões setoriais, a Condsef está negociando com o Ministério do Planejamento a pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2015. Na última quinta-feira, dia 14, a entidade se reuniu com a SRT para tratar do reajuste dos benefícios e da regulamentação da negociação coletiva no setor público (Convenção 151 da OIT – Organização Internacional do Trabalho).

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Manoel Messias, participou da reunião com a Condsef e o Planejamento. Ele explicou que a Convenção 151 da OIT tem sido discutida num fórum junto com as centrais sindicais.

Messias explicou também que a situação ainda não foi resolvida por questões políticas. Apesar de o governo federal já ter entrado em consenso, ainda faltam os estados e municípios fecharem a proposta. Lembrando que a regulamentação será comum às três esferas (União, Estado e Município).

Reajuste de benefícios

Sobre o reajuste dos benefícios, o governo apresentou uma proposta. Ele ofereceu R$ 455 para o auxílio alimentação e R$ 321,39 para auxílio creche, que estão em R$ 373 e R$ 73,07, atualmente.

O governo fez uma simulação sobre os valores da saúde suplementar. O menor valor, que hoje é R$ 82, passaria para R$ 110. Já o maior sairia de R$ 167 para R$ 204,49.

A Condsef discorda da proposta do governo. A luta é pela equiparação com os valores pagos no Legislativo e no Judiciário, já que todos saem da mesma fonte, a União. A confederação também discorda do prazo para implantação dos reajustes. O Planejamento fala em janeiro de 2016, mas a entidade quer em junho de 2015, já que não depende de previsão orçamentária.

Como não houve entendimento, o Planejamento se comprometeu em marcar uma nova reunião para tratar desses assuntos.

Com informações da Condsef

13 de maio de 2015

HOMOFOBIA NO BRASIL: RETRATO DE UMA SOCIEDADE INTOLERANTE

HOMOFOBIA NO BRASIL: RETRATO DE UMA SOCIEDADE INTOLERANTE

COLUNISTAS DR. FERREIRA JUNIOR
A homofobia ainda é um problema presente e constante em nossa sociedade.


Estatísticas compiladas pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) sugerem que o Brasil é o país com a maior quantidade de registros de crimes homofóbicos do mundo, seguido pelo México e pelos Estados Unidos. De acordo com o GGB, um homossexual é morto a cada 36 horas no país.

Segundo o professor Luiz Mott, fundador do GGB e membro do departamento de antropologia da Universidade Federal da Bahia, a homofobia é uma "epidemia nacional". Ele assevera que o Brasil "é o campeão mundial em assassinatos de homossexuais, sendo que a cada três dias um homossexual é barbaramente assassinado, vítima da homofobia." Para a advogada Margarida Pressburger, membro do Subcomitê de Prevenção da Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ainda é "um país racista e homofóbico."


A discriminação homofóbica atinge não apenas os gays, mas também os héteros no Brasil. Segundo pesquisadores do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a homofobia está ligada ao modo como as pessoas percebem as diferenças entre homens e mulheres. Independentemente da orientação sexual, são as roupas, os trejeitos e os estereótipos de masculino e feminino que suscitam o preconceito.


Com base na dissertação de mestrado de um de seus autores, Angelo Brandelli Costa, os pesquisadores compilaram uma série de artigos sobre homofobia no Brasil publicados entre 1973 e 2011. Os artigos foram selecionados em diversas bases de dados acadêmicas a partir de palavras-chave como "homofobia", "preconceito", "discriminação" e "Brasil". Dentre os que foram encontrados, os pesquisadores selecionaram somente aqueles baseados em estudos empíricos feitos no país.


Embora os trabalhos tivessem metodologias e bases diferentes, da análise dos artigos os pesquisadores puderam concluir que a homofobia - ou qualquer preconceito motivado pela fuga da heteronormatividade - é um fenômeno disseminado no país e se faz presente em vários contextos, como no ambiente escolar ou nas relações de trabalho.


Ainda de acordo com a pesquisa, a homofobia no Brasil tem forte vínculo com o sexismo (discriminação baseada no sexo ou gênero) e o preconceito contra o não conformismo às normas de gênero (mulheres que têm comportamento considerado masculinizado, por exemplo). Isso significa que homossexuais que tenham características consideradas compatíveis com seu sexo anatômico tendem a sofrer menos preconceito do que mulheres masculinizadas ou homens com trejeitos femininos. Por esse motivo, os pesquisadores acreditam que, para que sejam eficazes, as ações contra a homofobia devem ter como alvo também o sexismo.


O poder público federal brasileiro registrou, em 2011, 6.809 denúncias de violações de direitos humanos de caráter homofóbico (preconceito por orientação sexual e identidade de gênero presumida). Em relatório pioneiro, que sistematiza pela primeira vez dados oficiais, a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República mapeou a extensão e as características deste fenômeno: as vítimas e os agressores preferenciais, os espaços onde a discriminação prepondera e a articulação a outros marcadores sociais, tais como a faixa etária e a cor da pele, são elementos que aparecem no "Relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil: o ano de 2011".


De acordo com os dados - coletados através do Disque 100 (SDH), pela Central de Atendimento à Mulher, pelo Disque Saúde (Ministério da Saúde) e por emails e correspondências enviadas ao Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT -, 67,5% das vítimas eram homens e 85,5%, homossexuais. Eles também são maioria na condição de suspeitos (52,5%), categoria cujos heterossexuais predominam (43,9%). As mulheres representam 26,4% das vítimas e 34,5% das agressoras. Do total das vítimas, 69% eram jovens (de 15 a 29 anos). "Os dados evidenciam como os papéis de gênero se refletem nos indicadores de violência. No Brasil, a construção da masculinidade é um processo marcado pela violência. Ser homem implica na adoção de condutas geralmente violentas, dominadas pela lógica da virilidade e do machismo que é assimilada desde cedo. A exigência social pede que os homens sejam heterossexuais. Quando violadas ou subvertidas, tais condutas e normas heteronormativas são motivo para todo tipo de violência. O relatório reflete, nesse sentido, práticas sociais muito arraigadas em um país onde a masculinidade é um elemento que compõe a sociedade", afirma Marco Aurélio Prado, psicólogo e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, que desenvolve pesquisas do campo das relações de gênero e da cidadania LGBT.


O relatório também mostrou que 62% das vítimas conheciam seus agressores, sendo 38,2% familiares e 35,8% vizinhos. "O tipo mais comum de violência homofóbica se dá em círculos de intimidade. É uma dinâmica que não pode ser vista em separado à questão da violência institucional. A lógica da violência partindo de pessoas próximas está inscrita em um contexto no qual muitas vezes instituições de trabalho, de estudo, de saúde, entre tantas outras, também constituem espaços de manifestação homofóbica", observa Marco Aurélio.


Para o pesquisador da UFMG, a violência homofóbica é um fenômeno enraizado e complexo, cujo combate não é simples. De acordo com o relatório da SDH, os locais de discriminação são encabeçados pelo ambiente doméstico (42%) e pela rua (30,8%), seguidos pelo local de trabalho (4,6%), pelas instituições governamentais (5,5%) e outros ambientes (17,1%), tais como bares, rios, lagoas, banheiros públicos, postos, albergues, motéis, instituições religiosas etc. "A natureza do fenômeno é multifacetada, não apenas em relação aos espaços de eclosão mas também às modalidades. Há graus de violência, como a humilhação, a negligência na assistência à saúde, à alimentação. A homofobia não é apenas a agressão, o ataque físico. Envolve outras manifestações", observa Marco Aurélio.


A complexidade do fenômeno exige, de acordo o pesquisador da UFMG, a participação efetiva do Estado. "O Estado brasileiro mexeu-se nos últimos anos, embora tenha sido um movimento de passos curtos. Houve as Conferências Nacionais LGBT e a criação do Conselho Nacional LGBT. Iniciativas que colocaram a temática dos direitos da população LGBT na agenda pública. Canais de diálogo foram criados, o que é muito saudável", afirma Marco Aurélio Prado, que lamenta, no entanto, o panorama atual.


No horizonte dos direitos sexuais da população LGBT, o recuo, em 2011, do governo federal na distribuição do kit anti-homofobia em escolas é um exemplo das dificuldades existentes. "O relatório da SDH mostra como a homofobia é um fenômeno que permeia as instituições, sobretudo a família. Nesse aspecto, no qual os preconceitos vão se manifestando e sendo aprendidos no ambiente familiar, é que a escola é de vital importância. O enfrentamento do preconceito passa pelo diálogo entre os espaços por onde os jovens circulam e se socializam. A escola deveria ser um ambiente acolhedor e promotor da igualdade, do respeito não apenas das questões da população LGBT, como também de outros estigmas e preconceitos existentes. Infelizmente, sobretudo no atual governo, a temática dos direitos sexuais tem recuado", lamenta Marco Aurélio.


O destaque para os dados na mídia, acredita o professor da UFMG, espelha o panorama das discussões sobre sexualidade. "A repercussão foi tímida, diante de um problema que se apresenta como grave, pela quantidade de casos reportados. Lamentavelmente, parece um tema proibido", avalia Marco Aurélio.


De acordo com o pesquisador, há uma maré conservadora que compõe o cenário de retrocesso. "A arena da política institucional está sendo fortemente influencia por setores religiosos. Temos que entender as organizações religiosas como entidades que integram o jogo político, para não cairmos na ingenuidade de achar que a previsão constitucional de laicidade basta como bandeira de luta. Também na sociedade civil, temos visto o fortalecimento de setores conservadores contrários aos direitos sexuais, como no caso da tentativa de se sustar a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe propostas de tratamento à homossexualidade. Na própria classe de psicólogos, há muitos profissionais que questionam a resolução. Vivemos um momento perigoso, pois os relatos de homofobia têm sido tornados públicos sem que haja estratégias de conscientização e de enfrentamento. A discussão pública tem retraído. É necessário pensar alternativas de conscientização e combate nessas circunstâncias.", observa Marco Aurélio.


O relatório, enfatiza o pesquisador, é muito bem-vindo. "É a voz do Estado sobre um fenômeno problemático na sociedade brasileira. Os pesquisadores e os ativistas devem reconhecer a importância de um dado oficial", afirma Marco Aurélio, que faz uma ressalva. "A compilação dos dados é por meio de canais que não dão conta da realidade. Os números mostrados certamente são inferiores ao que de fato ocorre no país. No entanto, é um sinal relevante de que o Estado brasileiro está, de alguma forma, atento ao problema", afirma . O relatório da SDH também ressalva que a ausência de uma rubrica de orientação sexual e identidade de gênero nos boletins de ocorrência policial dos Estados (mecanismo existente apenas no Rio de Janeiro) e a não obrigatoriedade de se reportar à União os dados de segurança estaduais e municipais abrem espaço para a subnotificação.


O relatório, cuja elaboração contou com a participação de pesquisadores e ativistas, conclui que a homofobia é um problema estrutural no país, "operando de forma a desumanizar as expressões de sexualidade divergentes da heterossexual, atingindo a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em todos os níveis e podendo ser encontrada nos mais diversos espaços". Afirma ainda que o fenômeno é mais sentido por jovens e negros/pardos, que devem ser prioridade das políticas de combate à violência homofóbica. "A extensão e a gravidade do problema pedem que as formas de intervenção do Estado sejam mais efetivas. Não apenas com campanhas será possível lutar contra a homofobia. É preciso políticas na área da saúde, da educação, da assistência social, da segurança pública. Políticas que abarquem os diversos âmbitos que constituem uma sociedade cuja homofobia é um problema multifacetado", conclui Marco Aurélio Prado.

Um fato recente e amplamente divulgado pela mídia chama a atenção quanto ao fenômeno da homofobia, refletindo a banalização deste crime.


Em São Paulo, dois homens foram presos na terça-feira (03/12/2012) por tentativa de homicídio após terem espancado o estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP) André Baliera, de 27 anos. Ele voltava a pé para casa pela Rua Henrique Schaumann, em Pinheiros, na zona oeste, quando foi agredido. Por volta das 19 horas, Baliera viu que alguém mexia com ele de dentro de um carro. Segundo a vítima, era o também estudante Bruno Portieri, de 25 anos, que o ofendia por sua opção sexual. O universitário começou a discutir e Portieri saiu do carro. Baliera fez menção de pegar uma pedra para se defender. Foi quando o motorista do veículo - personal trainer Diego de Souza, de 29 anos - desceu e começou a agredi-lo. Ele só parou de bater no universitário quando policiais militares chegaram para ver o que ocorria e detiveram ele e o amigo. Com escoriações na cabeça, dores no corpo e sem dormir, Baliera ainda estava confuso e transtornado na tarde da terça-feira (04). "Assumo que trocamos ofensas. Mas a atitude deles era de como se bater em alguém fosse a coisa mais comum do mundo." Na noite de segunda (02), após a prisão, Portieri deu entrevista à TV Record e culpou a vítima pela agressão. "Apanhou de besta porque, se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado." Segundo sua irmã, Portieri é "do bem" e estava no lugar errado na hora errada. "Foi um momento de fúria, não foi por homofobia. A imprensa está dando muita atenção para o caso, mas o menino (Baliera) está vivo", disse Polianne Portieri.


A despeito de todos os estudos quanto ao tema, as práticas de atos discriminatórios contra minorias, mesmo que de forma lúdica ou silenciosa, já se encontra arraigado em nossa cultura.


Desafio verdadeiro será preparar as novas gerações, de modo a tornar os jovens bem mais tolerantes às diferenças. Pois certo é que não poderemos construir uma sociedade justa, sem observarmos os princípios básicos de respeito às desigualdades de gênero, de cor e de opção sexual.


Por fim, é dever de todo cidadão zelar para que não se afaste do censo comum, a mensagem contida no artigo 5º da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade(...)”.

RACISMO E IMPUNIDADE NO BRASIL

RACISMO E IMPUNIDADE NO BRASIL

Por Helio Santos Do Brasil de Carne e Osso
Apesar de os estudos da Genética afirmarem que não há raças na espécie humana, o que não falta no mundo são racistas – dos mais variados tipos. De fato, os estudos confirmam aquilo que os espiritualistas sempre disseram: os humanos são uma espécie muito homogênea. A cor da pele, por exemplo, fator crucial para uma ação racista, é resultado de adaptações biológicas que o organismo humano desenvolveu ao longo do tempo para se proteger. Para o calor da África: pele mais escura e cabelo crespo para se proteger do sol. Na gelada Europa, pele clara para sintetizar a vitamina “D”. De qualquer forma, os humanos surgem no planeta na região que hoje se denomina África. Portanto, o homo sapiens não era um tipo que hoje poderia ser chamado branco.


No Brasil há muita dissimulação, mas em inúmeras ocasiões o racismo tem vindo à tona com todos os seus dentes. Segundo o professor Joel Rufino dos Santos, o brasileiro vem “perdendo a vergonha” de ser racista. Durante muito tempo o racismo veio metamorfoseado por uma verdadeira “arte” que se desenvolveu nesses trópicos ao longo do tempo: o fingimento como filosofia nacional. A expressão “democracia racial” é um insulto à inteligência brasileira e, em particular, à dos negros.
IMPUNIDADE
Nos últimos tempos têm havido atos explícitos de racismo. O campo esportivo é um dos setores que tem maior destaque. Todavia, não é nesse setor que os negros têm o maior prejuízo. Além da violência policial, há a discriminação no mercado de trabalho, por exemplo.
Um caso que chamou a atenção do país se deu em 2012, quando uma anciã, em plena avenida Paulista, no coração de São Paulo, ofendeu duramente a três pessoas negras em um shopping. O esporte dessa megera é xingar e menosprezar negros por todos os lugares onde vai: porteiros, balconistas e transeuntes. As ofensas são do tipo: “macaca, eu não gosto de negro”; “negros imundos” e “eu sou superior a vocês, porque sou descendentes de alemães”. À primeira vista, alguns dirão tratar-se de uma louca. Ledo engano: ela nunca foi vista rasgando dinheiro e nunca tentou pular debaixo do metrô.

A decisão final desse caso ocorreu em abril no Tribunal de Justiça de São Paulo. Em primeira instância, a racista já fora condenada a 4 anos em regime semiaberto (ela tem 73 anos). Essa pena de reclusão foi agravada com a exigência de indenização de R$28.960 para cada uma das três pessoas ofendidas. Foi uma boa decisão: mexer no bolso de pessoas e organizações racistas pode vir a ser uma forma eficaz de atenuar o racismo. Todavia, houve recurso e a pena em regime semiaberto se transformou em aberto. Ou seja, a pena será cumprida em casa. Para aqueles que alegam a idade avançada da criminosa é importante lembrar que os canalhas também envelhecem. A pena pecuniária também caiu. O bolso de Davina Aparecida Castelli não sofrerá danos. A condenação foi positiva, mas inócua. Além de não ser presa em uma cadeia, a condenada nada pagará.

É FUNDAMENTAL REAGIR
A parte positiva dessa história foi a reação de uma das vítimas que levou o caso até o final com determinação e firmeza: Karina Chiaretti “não deixou “barato”.
Karina, quando foi vítima das ofensas verbais, estava em companhia de sua filha de 9 anos e a sua fala revela uma posição que precisa ser difundida: “Não foi exatamente a pena que a gente esperava, mas foi um ganho para toda a comunidade negra. Para todos é uma vitória porque esta causa não é única. É pela minha filha, pelas nossas crianças”.
karina-chiaretti
Para orgulho meu, Karina é minha sobrinha e afilhada. Cresceu ouvindo de sua família: pais, avós e tios que ela era bonita, inteligente e que merecia o que há de melhor na vida. Autoestima positiva e consciência racial. Sua atitude deixou claro para mim que o diferencial está de fato na educação e postura familiar. As pessoas não necessitam ser ativistas, mas têm de ter consciência racial. É lamentável a forma como reage algumas personalidades negras, especialmente esportistas e artistas em geral. Fogem da raia, em vez de se defenderem. Costumam dizer: “vou deixar barato”. Erro: sai caro duas vezes. Primeiro, aquela ofensa fica “atravessada” na mente do ofendido que não reagiu, pois “guardou” para si aquilo. Depois, o ofensor se sente impune para “repetir a dose” com outras pessoas negras. Reagir é sempre positivo – sempre.
O pior racismo é o institucional; que eu sempre denominei inercial. A própria justiça, quando não mantém uma decisão que pune de fato o racismo; a máquina pública (polícia inclusa). Enfim, a engrenagem social e política que naturalizou o racismo. Isto ocorre ainda, apesar da posição do STF a favor das ações afirmativas, o que denota o reconhecimento do racismo na sociedade brasileira. Por essa situação, em pleno século 21, temos de radicalizar nas políticas públicas específicas.
Mas, simultaneamente, ações como a de Karina Chiaretti têm de se tornar uma rotina em nosso cotidiano. Cessada a fase criminal, minha sobrinha recorrerá à instância cível na busca dos seus direitos ofendidos. Respeito e cidadania não vêm como brindes. Você tem de conquistar sem medo.
13/5/2015Geledés Instituto da Mulher Negra

Postagens