7 de fevereiro de 2015

PETROBRAS: A QUEM INTERESSA A CRISE?




SERÁ QUE O CAMINHO É SANGRAR A COMPANHIA?? 




"Combate à corrupção deve ser entendido como meio de sanar nossas grandes empresas, públicas e privadas, não de inviabilizá-las como instrumentos estratégicos."

Já há alguns meses, e mais especialmente na época da campanha eleitoral, grassam na internt mensagens com o título genérico de “O Fim do Brasil”, defendendo a estapafúrdia tese de que a nação vai quebrar nos próximos meses, que o desemprego vai aumentar, que o país voltou, do ponto de vista macroeconômico, a 1994 etc. etc. – em discursos irracionais, superficiais, boçais e inexatos. Na análise econômica, mais do que a onda de terrorismo antinacional em curso, amplamente disseminada pela boataria rasteira de botequim, o que interessa são os números e os fatos.

Segundo dados do Banco Mundial, o PIB do Brasil passou, em 11 anos, de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2,2 trilhões em 2013. Nosso Produto Interno Bruto cresceu, portanto, em dólares, mais de 400% em dez anos, performance ultrapassada por pouquíssimas nações do mundo. Para se ter ideia, o México, tão “cantado e decantado” pelos adeptos do terrorismo antinacional, não chegou a duplicar de PIB no período, passando de US$ 741 bilhões em 2002 para US$ 1,2 trilhão em 2013; os Estados Unidos o fizeram em menos de 80%, de pouco mais de US$ 10 trilhões para quase US$ 18 trilhões.

Em 11 anos, passamos de 0,5% do tamanho da economia norte-americana para quase 15%. Devíamos US$ 40 bilhões ao FMI, e hoje temos mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Nossa dívida líquida pública, que era de 60% há 12 anos, está em 33%. A externa fechou em 21% do PIB, em 2013, quando ela era de 41,8% em 2002. E não adianta falar que a dívida interna aumentou para pagar que devíamos lá fora, porque, como vimos, a dívida líquida caiu, com relação ao PIB, quase 50% nos últimos anos.

Em valores nominais, as vendas nos supermercados cresceram quase 9% no ano passado, segundo a Abras, associação do setor, e as do varejo, em 4,7%. O comércio está vendendo pouco? O eletrônico – as pessoas preferem cada vez mais pesquisar o que irão comprar e receber suas mercadorias sem sair de casa – cresceu 22% no ano passado, para quase US$ 18 bilhões, ou mais de R$ 50 bilhões, e o país entrou na lista dos dez maiores mercados do mundo em vendas pela internet.

                          

Segundo o Perfil de Endividamento das Famílias Brasileiras divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o ano de 2014 fechou com uma redução do percentual de famílias endividadas na comparação com o ano anterior, de 62,5%, para 61,9%, e a porcentagem de famílias com dívidas ou contas em atraso, caiu de 21,2%, em 2013, para 19,4%, em 2014 (menor patamar desde 2010). A proporção de famílias sem condições de pagar dívidas em atraso também diminuiu, de 6,9% para 6,3%.


É esse país – que aumentou o tamanho de sua economia em 400%, cortou suas dívidas pela metade, deixou de ser devedor para ser credor do Fundo Monetário Internacional e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola e triplicou a produção de automóveis em 11 anos, que reduziu a menos de 6% o desemprego e que, segundo consultorias estrangeiras, aumentou seu número de milionários de 130 mil em 2007 para 230 mil no ano passado, principalmente nas novas fronteiras agrícolas do Norte e do Centro-Oeste – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015.

E se o excesso de números é monótono, basta o leitor observar a movimentação nas praças de alimentação dos shoppings, nos bares, cinemas, postos de gasolina, restaurantes e supermercados; ou as praias, de norte a sul, lotadas nas férias. E este é o retrato de um país que vai quebrar nos próximos meses?

O Brasil não vai acabar em 2015.

Mas se nada for feito para desmitificar a campanha antinacional em curso, poderemos, sim, assistir ao “fim do Brasil” como o conhecemos. A queda das ações da Petrobras e de empresas como a Vale, devido à baixa do preço do petróleo e das commodities, e também de grandes empresas ligadas, direta e indiretamente, ao setor de gás e de petróleo, devido às investigações sobre corrupção na maior empresa brasileira, poderá diminuir ainda mais o valor de empresas estratégicas nacionais, levando, não à quebra dessas empresas, mas à sua compra, a preço de “bacia das almas”, por investidores e grandes grupos estrangeiros – incluídos alguns de controle estatal – que, há muito, estão esperando para aumentar sua presença no país e na área de influência de nossas grandes empresas, que se estende pela América do Sul e a América Latina.

Fosse outro o momento, e o Brasil poderia – como está fazendo a Rússia – reforçar sua presença em setores-chave da economia, como são a energia e a mineração, para comprar, com dinheiro do tesouro, a preço muito barato, ações da Petrobras e da própria Vale. Com isso, além de fazer um grande negócio – as ações da Petrobras já estão voltando a se valorizar –, o governo brasileiro poderia, também, contribuir, com a recuperação da Bolsa de Valores. Essa alternativa, no entanto, não pode sequer ser aventada, em um início de mandato em que o governo se encontra pressionado, praticamente acuado, pelas forças neoliberais que movem – aproveitando os problemas da Petrobras – cerrada campanha contra tudo que seja estatal ou de viés nacionalista.

Com isso, o país corre o risco de passar, com a entrada desenfreada de grandes grupos estrangeiros na Bolsa por meio da compra de ações de empresas brasileiras com direito a voto, e a eventual quebra ou absorção de grandes empreiteiras nacionais por concorrentes do exterior, pelo maior processo de desnacionalização de sua economia, depois da criminosa entrega de setores estratégicos a grupos de fora – alguns de capital estatal ou descaradamente financiados por seus respectivos países (como foi o caso da Espanha) nos anos 1990.

Projetos que envolvem bilhões de dólares, e mantêm os negócios de centenas de empresas e empregam milhares de brasileiros já estão sendo, também, entregues para estrangeiros, cujas grandes empresas, no quesito corrupção, como se pode ver no escândalo dos trens, em São Paulo, em nada ficam a dever às brasileiras.

Para evitar que isso aconteça, é necessário que a sociedade brasileira, por meio dos setores mais interessados – associações empresariais, pequenas empresas, sindicatos de trabalhadores, técnicos e cientistas que estão tocando grandes projetos estratégicos que poderiam cair em mãos estrangeiras –, se organize e se posicione. Grandes e pequenos investidores precisam ser estimulados a investir na Bolsa, antes que só os estrangeiros o façam. O combate à corrupção – com a punição dos responsáveis – deve ser entendido como um meio de sanar nossas grandes empresas, e não de inviabilizá-las como instrumentos estratégicos para o desenvolvimento nacional e meio de projeção do Brasil no exterior.

É preciso que a população – e especialmente os empreendedores e trabalhadores – percebam que, quanto mais se falar que o país vai mal, mais chance existe de que esse discurso antinacional e hipócrita, contamine o ambiente econômico, prejudicando os negócios e ameaçando os empregos, inclusive dos que de dizem contrários ao governo. É legítimo que quem estiver insatisfeito combata a aliança que está no poder, mas não o destino do Brasil, e o futuro dos brasileiros.

FONTE: http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/#sthash.8exIIXMl.dpuf

PETROBRÁS: CRISE SIM, MAS VONTADE DE PRIVATIZAR TAMBÉM!!!

O petróleo, a Petrobras e a geopolítica: Entrevista com Paulo Metri



O ano de 2014 foi marcado por dois acontecimentos que afetam frontalmente a Petrobras, maior e mais importante estatal brasileira. Foram estes a enorme queda no preço do petróleo e a vinda à tona do já antigo cartel e propinoduto que azeitava executivos de empreiteiras, altos funcionários e partidos políticos.
Chamado de “petrolão” por razões puramente propagandísticas, o que vimos foi o uso indiscriminado deste esquema para explicar todo e qualquer fato negativo que envolvesse a Petrobras. Bastante clara também foi a tentativa de emplacar no atual governo federal toda a culpa por esse esquema atuante desde no mínimo a década de 90.
A fim de trazer uma informação contextualizada e menos influenciada por interesses escusos, entrevistei o conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania, Paulo Metri. Atento a toda a movimentação nacional e internacional do setor, Metri enxerga uma estratégia geopolítica em torno da baixa no preço do barril, considera que o risco de sanções judiciais influencia nas ações da estatal e diz ainda que os últimos governos – tanto tucanos quanto petistas – erraram em fazer tantos leilões de áreas de reservas petrolíferas e de gás natural.
Confira:
Este ano ocorreu uma queda substancial no preço do barril de petróleo. Como explicar este fato?
Metri: Trata-se de uma manobra de países grandes exportadores de petróleo para forçar uma baixa no preço do barril. A pergunta que todos fazem no momento é: “Por que os grandes exportadores estão inundando o mercado mundial de petróleo?”
Não se trata da entrada de um novo país exportador querendo colocar seu produto e, assim, induzindo a baixa. Também, petróleo não é um produto com alto grau de elasticidade que, com o barateamento do preço do barril, seu consumo passa a ser maior e, desta forma, os países exportadores não sofrem grande perda nas suas receitas.
Por outro lado, a OPEP existe desde os anos 1960 e é um cartel dos grandes exportadores atuando às claras. Ela sabe atuar para segurar o preço do barril a um nível escolhido. Fizeram isto muito bem em 1973 e 1979.
Então, restam, como explicações plausíveis para o aumento da oferta mundial de petróleo, que resultou na queda do preço do barril, duas hipóteses: (1) “dumping” promovido para matar a concorrência do óleo e gás de xisto e (2) jogada estratégica para criar grande dificuldade econômica a países com forte concentração da receita do petróleo no total das exportações.
Que países sentem os efeitos dessa baixa?
Metri: Sentem, como efeito positivo, todos os grandes importadores de petróleo do mundo. Por exemplo: Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Índia e França. Inclusive, esta queda no preço do barril deverá ajudar a recuperação da economia mundial.
Sentem, como efeito negativo, como já foi dito no item anterior, os exportadores nos quais a receita do petróleo é preponderante no total das exportações. Como exemplo, creio que todos que compõem a OPEP: Angola, Argélia, Líbia, Nigéria, Venezuela, Equador, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Catar. Além destes, a Rússia, que não é membro da OPEP.
Porque a OPEP está mantendo a superprodução? Que países a bancam? Quem são os beneficiados dessa medida?
Metri: Houve uma reunião recente da OPEP, na qual foi decidido, por maioria, que os países continuariam com as cotas de exportação que levaram à queda do preço do barril. Existia, nesta reunião, uma proposta da Venezuela para reduzir estas cotas de forma a segurar o preço do barril em torno de US$ 100. Ela foi derrotada.
A informação de quais países da OPEP bancaram esta decisão não é conhecida. Mas, fala-se que foram principalmente os países do Oriente Médio, sob a liderança da Arábia Saudita.
Quanto aos beneficiários desta medida, já foi respondido na pergunta anterior.
Uma pergunta que pode ser feita é: “Se os países-membros da OPEP, do Oriente Médio, saem prejudicados também, com menores receitas de exportação, porque eles forçaram a queda do preço do barril?” A única resposta plausível é que se trata de uma jogada geopolítica, envolvendo potências mundiais para aumentar seus poderios a nível internacional. E os países do Oriente Médio teriam compensações. Eventualmente, as compensações seriam dadas somente às oligarquias dominantes destes países.
Assim, os países alvo, que sairão muito prejudicados desta possível articulação, são Rússia, Irã e Venezuela, “casualmente” países desafetos dos Estados Unidos.
Em relação ao fracking. O petróleo de xisto tem potencial de fazer frente ao tradicional? Que efeitos geopolíticos são esperados com a massificação dessa prática?
Metri: No artigo de André Garcez Ghirardi, intitulado “Petróleo: a virada nos mercados globais e o pré-sal”, é dito que, tomando um preço médio do barril de US$ 85 nos próximos quatro anos, “estima-se que ainda permanecem claramente viáveis os melhores empreendimentos petroleiros fora da OPEP – a exemplo do Golfo do Texas nos EUA – assim como a produção brasileira na Bacia de Campos e no pré-sal de Santos, e ainda as áreas não convencionais (xisto) mais produtivas dos EUA, a exemplo da bacia de Bakken”.
Ele continua dizendo: “Mas o preço de 85 dólares seria insuficiente para viabilizar a produção de petróleos mais caros como o não convencional (xisto) de áreas menos produtivas dos EUA (Woodford no Oklahoma) ou o pré-sal de Angola, ou as areias betuminosas canadenses, ou mesmo o petróleo ultra-pesado da Faixa do Orinoco na Venezuela.”
Uma das conclusões destas afirmações é que cada reserva é um caso específico, que deve ser analisada isoladamente. Grandes generalizações não são recomendáveis.
Como ficam a Petrobras e o Pré-Sal neste quadro? A exploração do Pré-Sal permanecerá viável?
Metri: É preciso fazer análises também para valores menores que US$ 85/barril. Fala-se até que o barril pode se estabilizar em US$ 60.
A Petrobras, por razões empresariais, não divulga o custo do barril do Pré-Sal. Entretanto, conhece-se como custo médio o valor de US$ 45. Além das condições de cada reservatório, os tributos (royalties, participação especial, contribuição para o Fundo Social e outros), dependem se a área foi concedida, cedida onerosamente ou entregue através de contratos de partilha. Então, estes US$ 45 podem variar muito. Mas, mesmo para o pior caso, o barril não deve ultrapassar US$ 60.
Quanto aos campos da bacia de Campos, o custo médio do barril está em US$ 15 e, assim, não há a mínima preocupação.
Como e em que medida os escândalos da Lava-Jato contribuem com a desvalorização da Petrobras?
Metri: A desvalorização das ações da Petrobras é, no meu entendimento, relacionada com a possibilidade dela ter que pagar altas indenizações da Justiça, a dúvida se o governo brasileiro conseguirá sustar a avalanche de roubos (que a nova diretoria de Governança não vai sustar) e, também, a manipulação de grandes investidores.
Um destes investidores, quando compra uma ação da Petrobras, é porque a perspectiva de lucros futuros e de crescimento do patrimônio justificará a permanência do dinheiro nela aplicado. E ela, ainda hoje, se sai muito bem nesta avaliação.
Os grandes investidores sabem que, quando as massas, sem fazer esta análise, em movimento emocional, passam a vender, é o momento de comprar.
Quanto ao caixa da empresa. É verdade que a Petrobras está numa situação financeira dificultosa?
Metri: Está, sim, em uma situação financeira apertada porque os governos FHC, Lula e Dilma já colocaram mais de 1.000 áreas do território nacional, propícias a terem reservas de petróleo e gás, em leilão através de 12 rodadas da ANP, e graças a um esforço gigantesco da Petrobras, para não deixar nosso petróleo ser usufruído por petrolíferas estrangeiras, ela arrematou muitas destas áreas.
A Petrobras, com as reservas conhecidas até 2007 (ano da descoberta do Pré-Sal), abastece o Brasil durante 17 anos. Com as reservas do Pré-Sal pertencentes à Petrobras, o país estará abastecido por mais de 50 anos. Então, não havia necessidade de tantos leilões.
O país poderia, através da Petrobras, produzir petróleo para exportação. Mas, a exportação só deveria acontecer se o fluxo de caixa da empresa gerasse os recursos necessários para a implantação dos novos campos de exportação.
Ou seja, a velocidade de leilões e da implantação de campos requerida pela ANP devia se adequar à disponibilidade financeira da Petrobras. Implícito está que fazer leilão para entregar o petróleo para empresas estrangeiras que irão exportá-lo é o pior dos mundos.
Finalmente, registre-se, por tudo que foi explicado, que a corrupção não é a causa principal para a Petrobras estar com dificuldade financeira de curto prazo.
Porque a retórica da crise na nossa mais importante estatal é tão explorada? A que interesses ela serve?
Metri: Ao capital internacional, principalmente às petrolíferas estrangeiras, e aos seus aliados no país, verdadeiros traidores do povo brasileiro.
Serve, também, para a direita conseguir ludibriar incautos para, eventualmente, passar a deter o poder político do país.
A grande mídia reverbera a propaganda privatista? Porque?
Metri: A grande mídia é parte integrante do grande capital, principalmente daquele internacional.
O setor privado é menos corrupto que o público?
Metri: O corruptor, em todas as denúncias que nos chegam, é sempre um ente privado. Nunca vi um corruptor estatal. O corruptor (o agente ativo da corrupção) é tão corrupto quanto o agente passivo da corrupção, que é um funcionário do Estado.
No entanto, há roubos também dentro de empresas privadas. Quantas vezes ouve-se dizer que um sócio roubou o outro sócio? E o contador que rouba a empresa? O caso mais didático de roubo dentro de empresas privadas, que conheço, foi o dos CEO de empresas americanas, durante a crise de 2008, que deixaram suas empresas à beira da falência, mas eles tiveram excelentes remunerações.
PS do Viomundo: Diariamente o setor de imprensa da Petrobras emite notas desmentindo informações publicadas pelos jornalões que fazem parte da campanha para desmoralizar a empresa.

22 de janeiro de 2015

FORUM SOCIAL MUNDIAL 2015

Rumo ao Fórum Social Mundial


FONTE: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82894

Sergio Ferrari
Adital

A primavera árabe vive uma certa frustração e retrocesso. Com essa perspectiva, a próxima edição do Fórum Social Mundial, que se realizará novamente na capital de Túnis, entre 24 e 28 de março de 2015, redobra sua importância. "É necessário aumentar o nível de consciência dos cidadãos para mobilizar mais contra as injustiças, as desigualdades e em favor da liberdade e da dignidade de nossos povos”, enfatiza o pesquisador econômico marroquino Mimoun Rahmani, 46 años, membro ativo do Fórum Social de Magreb. Rahmani (foto) é também um importante analista político e social da região; militante do ATTAC (movimento em favor da aplicação de uma Taxa Tobin para punir os capitais especulativos internacionales) e membro do grupo de coordenação do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo/ África (CADTM). Entrevista exclusiva.

O FSM será realizado de novo em Túnis na última semana de março do próximo ano. Por que repetir o mesmo lugar que em 2013? De onde nasceu a proposta?

Mimoun Rahmani: Sem dúvida alguma, o FSM de Túnis em 2013 foi uma das edições de maior êxito desde o seu nascimento em 2001, em Porto Alegre, Brasil. E foi o melhor conclave dessa natureza dos quais foram realizados até agora na África (Quênia e Senegal). O processo revolucionário e os levantes populares que se deram em diversos países árabes tiveram uma grande importância. Por outra parte, o Conselho Internacional (instância facilitadora do FSM), logo após a edição tunisiana de 2013 fez um balanço muito positivo. Também foi positiva a avaliação que, em setembro de 2013, em Túnis, fez o comitê de acompanhamento do Fórum Social de Magreb. Ambas as instâncias propuseram refletir as organizações dessa zona do norte de África em geral e a as tunisianas em particular, sobre uma nova candidatura para 2015, para receber pela segunda vez consecutiva o FSM. Finalmente, em dezembro de 2013, em Casablanca, o Conselho Internacional tomou a decisão de realizar a edição 2015 na capital tunisiana. E agora a preparação da mesma entra em sua fase decisiva…

Qual é a visão desde Magreb do que representa o Fórum Social Mundial quase 15 anos depois do nascimento desse novo espaço de confluência da sociedade civil internacional?

MR: O Fórum é um espaço plural e diversificado, mas também é um processo que se desenvolve no tempo, com seus altos e baixos. Não é um simples evento formal e no mesmo os movimentos sociais constituem um dos componentes essenciais dessa dinámica. Nesse sentido, sua presença e participação ativa é duplamente importante. Por um lado, são tais movimentos que dão força ao Fórum e à sua expansão. Por outro lado, é o Fórum em si mesmo, como espaço, o que permite aos movimentos sociais de fazer convergir suas lutas específicas, rompendo assim o isolamento dessas experiências essenciais. Potencializando as articulações necessárias para que essas experiências reforcem uma luta comum contra o neoliberalismo e, de uma forma geral, contra a globalização capitalista. Ou seja, uma convergência que tenda a modificar a relação de forças em nível mundial.

Insisto…: o FSM entendido como um espaço aberto e convergente da sociedade civil mundial?

MR: Penso que o FSM não deve limitar-se a ser "o espaço aberto de reflexão, debate de ideias democráticas, formulação de proposições, intercâmbio de experiências”, tal como define sua Carta de Princípios. Deve também tornar visíveis as lutas sociais e ter um papel de catalizador dessas lutas. Se não, não tem muita razão de existir. E daí a importância capital de mobilizar mais e mais os movimentos sociais tunisianos, magrebis, africanos e de outras regiões do mundo para essa próxima edição 2015. O êxito do nuevo FSM dependerá, uma vez mais, da participação ativa de tais movimentos sociais, das organizações em luta, dos camponeses e trabalhadores, dos estudantes, dos desempregados, dos jovens, das mulheres, dos excluídos e marginalizados.

A dinâmica pós-primavera árabe no norte da África vive um certo retrocesso… Qual é a sua interpretação sobre essa situação contextual regional no marco da qual será realizado o Fórum 2015?

MR: Se os levantes populares em 2011 conseguiram derrubar as cabeças dos regimes em Túnis e Egipto, não conquistaram, no entanto, a derrota dos regimes mesmos. Permitiram realizar algumas mudanças pequenas em outros países árabes como o Marrocos, não conseguiram que se introduzam mudanças políticas e econômicas profundas. O processo revolucionário é longo e necessita tempo, energia e determinação. Ao falar de Che Guevara, "Em uma revolução se triunfa ou se morre”. Lamentavelmente, não se vê em nenhum país da região uma força política capaz de conduzir um processo revolucionário. Os governos instalados, eleitos ou impostos, não promovem políticas para mudanças que rompam com o passado. Em outras palavras, se repetem hoje as mesmas opções econômicas neoliberais que antes; as mesmas políticas públicas; e orientações semelhantes ditadas pelas instituições financeiras internacionais (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial). Em síntese, se percebe hoje o mesmo marco asfixiante ou inclusive pior, o que desencadeou os levantamentos populares na região a partir de 2011. Nesse sentido, a nova edição do Fórum Social Mundial a ser realizado em nossa região é mais do que importante. É necessária na medida em que permitirá, entre outras cosas, elevar o nível de consciência dos cidadãos na perspectiva de se mobilizar mais para enfrentar as injustiças nas desigualdades crescentes e em favor da liberdade e da dignidade dos povos.

Entre 30 de outubro e 1º de novembro próximos, o Conselho Internacional do FSM, como instância facilitadora do mesmo, vai realizar um encontro transcendente para a organização do evento de março próximo. Possivelmente, defina também os eixos temáticos de Túnis 2015. A partir da sua perspectiva magrebi, quais deveriam ser esses conteúdos essenciais?

MR: Como o Fórum é um espaço muito diverso e como as atividades são autogestionadas, seguramente, haverá uma grande variedade de temáticas a discutir. Contudo, o contexto regional e internacional faz com que certos eixos sejam mais prioritários. Em nível regional, em primeiro lugar, o processo revolucionário em curso, em particular em Túnis (já que o mesmo foi abortado no Egito e em outros lugares). O FSM será uma boa oportunidade para os movimentos sociais de fazer um balanço desses processos. Outras temáticas estarão na ordem do dia, entre elas o Islamismo político; os conflitos; a guerra e militarização; os direitos humanos e a livre expressão e opinião (levando em conta a perseguição de militantes e ativistas na região) etc.
Em nível internacional, o contexto está profundamente marcado pela continuidade da crise global e suas consequências para a população tanto no Norte como no Sul: austeridade e planos de choque, a dívida, os acordos de livre câmbio (acordo transatlântico entre a Europa e as nações do Mediterrâneo; acordos de relações de contrapartes económicas – como o APE – entre a União Europeia e certos países da África do oeste etc.). E, com certeza, a temática sensitiva sobre o clima, que constituirá um centro de atenção transcendente no FSM 2015. Fórum que deverá marcar uma escalada importante na preparação das mobilizações internacionais em torno da Conferência da COP21 sobre o clima prevista para o fim de 2015 em París.

O que poderá fazer a comunidade internacional comprometida para reforçar a presença dos movimentos sociais da região magrebi?

MR: A solidariedade internacional é um imperativo. Deverá manifestar-se a todo o momento, expressando seu apoio às diferentes lutas dos movimentos contra a injustiça, o racismo, ou contra a repressão por parte das autoridades que buscam criminalizar os movimentos sociais. E exigir o pleno exercício dos direitos fundamentais, entre eles em favor da liberdade de expressão e opinião. É através desse exercício solidário entre o Norte e o Sur que se poderá sustentar e dar coragem aos movimentos sociais e implicá-los ativamenten nos Fóruns Sociais.
É fundamental a solidariedade com as mulheres vítimas de estafas nos microcréditos no sul do Marrocos ou com as 595 mulheres da função pública em luta há 11 meses contra o seu licenciamento devido a medidas de austeridade impostas pelo governo grego, sob a tutela das instituições financeiras internacionais e da União Europeia. Ou inclusive a solidariedade com os jovens desempregados do sul de Túnis, que estiveram na origem mesma da revolução e que sofrem sempre os efeitos das políticas ultraliberais aplicadas pelo governo provisório.
É esse tipo de solidariedade que necessitam os movimentos e que, eventualmente, poderá facilitar sua participação no FSM 2015. É importante que os organizadores do FSM assegurem certos recursos financeiros para apoiar a presença desses movimentos e inclusive, por que não, organizar uma caravana que comece no sul de Túnis, parando em diferentes cidades e localidades, para chegar à capital no dia da abertura, 24 de março. Dessa caravana, poderiam participar delegados das organizações e movimentos sociais de Magreb e em nível internacional.
Insisto, o grande desafio dessa 2ª edição do Fórum em Túnis será a capacidade de mobilizar e assegurar a presença dos movimentos sociais.

Em que medida as próximas eleições a serem realizadas em Túnis, em 26 de outubri, puede ameaçar ou complicar a realização do FSM?

MR: O governo tunisiano tem expressado seu acordo para que o FSM se realize em seu país. O Comité local de organização está em discussão com as autoridades e o FSM será realizado, como ocorreu em 2013, no cômodo e extenso campus universitário de Al Manar. Penso que o governo que surgirá das eleições legislativas da última semana de outubro, seja qual for sua composição, não vai querer colocar em questão a realização do FSM. Que aportará, inclusive, recursos econômicos para o país! Adicionalmente, estou convencido de que o FSM deve ser considerado como uma conquista dos movimentos sociais. Qualquer eventual tentativa de proibi-lo deverá ser energicamente condenada pelo movimento altermundista, que deverá lançar uma ampla mobilização internacional. O espaço do FSM pertence ao movimento altermundista em seu conjunto, que deve se apropriar dele efetivamente.
Sergio Ferrari: Colaborador de imprensa E-CHANGER/COMUNDO, organização de cooperação solidária ativamente presente no FSM e co-organizadora das delegações suíças aos FSM.

O FSM, de Túnis em 2015 a Montreal em 2016

Nascido em 2001 em Porto Alegre, Brasil, o Fórum Social Mundial se realizou até agora cinco vezes nesse país sul-americano (2001, 2002, 2003 e 2005, em Porto Alegre, e 2009, em Belém do Pará). Duas vezes na África subsaariana (em 2007, em Nairóbi, no Quênia, e, em 2011, em Dakar, no Senegal), uma vez na Índia (Mumbai, 2004) e a última edição em Túnis, em 2013. Participaram mais de 60 mil representantes de 4.500 organizações de 128 países. A próxima edição, entre 24 e 28 de março de 201,5 novamente é convocada para a capital tunisiana. A iniciativa dos organizadores magrebis vai de mãos dadas com uma proposta mais ampla, denominada Quebec-Túnis, coordenada com a militância canadense, e que abarca o processo do Fórum para 2015 e 2016. A mesma prevê a realização do FSM seguinte, em agosto de 2016, em Montreal, Canadá. Falta ainda a decisão última do Conselho Internacional sobre a iniciativa canadense. (Sergio Ferrari)

21 de janeiro de 2015

SANGUE HUMANO: UMA MERCADORIA NO SUBMUNDO SOMBRIO!


"O Sonho da Aldeia Ding", do escritor Yan Lianke, é uma ficção que carrega o peso de uma verdade triste. O romance, fundamentado por três anos de pesquisa do autor, conta a história de um vilarejo pobre da China onde o sangue de seus cidadãos é comercializado como qualquer outra mercadoria.
A atividade é exercida sem seguir normas de higiene e causa discórdia entre os aldeões.
Por meio da narrativa, o autor traz à tona os conflitos éticos trazidos pela pobreza extrema, assim como pelo desejo de enriquecimento, e mostra como a ganância termina por drenar e contaminar literalmente a vida da China.
Yan Lianke é considerado um dos principais escritores asiáticos vivo. É também um forte opositor da ditadura que reina em seu país. Foi expulso de lá por causa do livro "A Serviço do Povo", que faz sátíra com as idiossincrasias da população chinesa.
Leia o primeiro capítulo de "O Sonho da Aldeia Ding".
*
Debaixo dos raios do sol poente, a planície do Henan estava vermelha, vermelha como sangue. Era fim de outono. Fazia frio. As ruas da Aldeia dos Ding estavam desertas. Os cães estavam de volta ao seu canto. As galinhas, empoleiradas. As vacas, há muito tempo deitadas no calor dos estábulos.
Nenhum ruído perturbava o silêncio da Aldeia dos Ding. A vida era igual à morte. Silêncio, fim de outono, crepúsculo.
A aldeia e seus moradores haviam definhado, e, como o capim e as árvores da planície, a vida secara: não passava de um cadáver enterrado em seu túmulo.
O vermelho do sangue dera lugar à escuridão da noite. Enfurnados em casa, os aldeões não saíam mais.
Meu avô, Ding Shuiyang, estava de volta da cidade. O ônibus que ligava Weixian, capital do distrito, a Dongjing, capital da província, deixara-o no acostamento da estrada principal como uma folha seca que o outono separa da árvore. O caminho que levava à Aldeia dos Ding fora pavimentado dez anos antes, quando todos os aldeões vendiam seu sangue. Por um instante, meu avô permaneceu imóvel no acostamento da estrada contemplando a aldeia que se estendia à sua frente. O vento trouxe-o de volta à realidade. Depois que embarcara no ônibus para ir à cidade escutar as intermináveis e melífluas exposições dos representantes do governo local, a confusão reinava em seu espírito. Agora tudo parecia claro como o sol nascendo num céu sem nuvens. Assim como é óbvio que as nuvens trazem chuva e o fim do outono traz frio, era óbvio que os aldeões que haviam vendido seu sangue dez anos antes iriam contrair "a febre" e deixar este mundo como as folhas mortas que o vento fazia cair das árvores no outono.
A doença escondia-se no sangue como meu avô imergia em seu sonho. A doença amava o sangue como meu avô amava o sonho.
Meu avô sonhava todas as noites. Fazia três noites que tinha um sonho recorrente. Ele estava em Weixian ou Dongjing. O sangue percorria uma rede de canalizações subterrâneas que se ramificava sob a cidade como uma gigantesca teia de aranha.
Nos locais em que os dutos estavam mal encaixados, o sangue esguichava para cima e caía numa chuva vermelha cujo cheiro irritava o nariz, e sobre toda a planície ele via o sangue brilhar nos poços e nos rios.
Nas cidades e aldeias, os médicos lamentavam sua impotência em refrear os progressos da doença, mas, diariamente, um médico, instalado numa rua da Aldeia dos Ding, esfregava as mãos de alegria. Na aldeia silenciosa, enquanto as pessoas se enterravam em suas casas, esse médico quarentão, sentado embaixo de sua velha sófora, a arca de remédios jazida a seus
pés, ria desbragadamente. Sua risada sonora fazia as árvores estremecerem e as folhas caírem, assim como o vento do outono que não esmorecia.

Quando saía do sonho, as autoridades convocaram meu avô para uma reunião. Como a Aldeia dos Ding havia perdido seu chefe, ele havia sido nomeado para substituí-lo.
De volta da reunião, diversas evidências ficaram claras para ele.
Em primeiro lugar, a doença que chamavam de "febre" tinha um nome: Aids.
Em segundo lugar, aqueles que haviam vendido seu sangue aquele ano haviam sido acometidos pela febre duas semanas depois e deviam forçosamente estar com Aids.
Em terceiro, aqueles que estavam com Aids apresentavam agora os mesmos sintomas de oito ou dez anos antes: uma febre comparável à da gripe, que desaparecia assim que eles ingeriam um medicamento antipirético, mas, três ou cinco meses mais tarde, eles já não tinham mais forças. Manchas e pústulas apareciam em seus corpos. Micoses carcomiam suas línguas e eles começavam a definhar. No fim de três meses, oito meses, muito raramente um ano, morriam. Carregados pelo vento como folhas secas. A luz se apagava e eles não eram mais deste mundo.
Quarta evidência: de dois anos para cá morria uma pessoa por mês na Aldeia dos Ding. Quase todas as famílias haviam perdido alguém. Mais de quarenta pessoas estavam mortas. Os sepulcros erguiam-se como feixes de trigo por toda parte nos campos. Alguns doentes com hepatite ou tísica, mas outros também cujo fígado e pulmões estavam perfeitamente saudáveis, não conseguiam engolir mais nada. Reduzidos ao estado de esqueletos, morriam seis meses mais tarde, depois de haverem cuspido uma bacia cheia de sangue. Carregados pelo vento como folhas secas. A luz se apagava e eles não eram mais deste mundo. Estivessem doentes do estômago, do fígado ou dos pulmões, era para todos a mesma "febre". A Aids.
Quinta evidência: aquela "febre", que no início só afetava os estrangeiros, as pessoas da cidade e os depravados, espalhara- se por toda a China, inclusive pelas aldeias, golpeando agora pessoas de conduta absolutamente inatacável. Como uma revoada de grilos, a doença abatia-se sobre as aldeias.
Sexta evidência: os que estavam doentes achavam-se irremediavelmente condenados. Era a nova doença mortal que golpeava o gênero humano, e o dinheiro nada podia contra ela.
Sétima evidência: aquilo era apenas o começo. A explosão iria produzir-se dali a um ano e atingiria seu paroxismo no ano seguinte. Por ora, dava-se a um homem que morria a mesma atenção que a um cão. Logo sua morte seria tão ignorada quanto a de um pardal, uma traça ou uma formiga.
Em oitavo lugar: eu estava enterrado atrás da escola onde meu avô morava. Quando eu morri, tinha acabado de completar 12 anos. Fui envenenado por um tomate que eu colhera ao voltar da escola. Seis meses antes, alguém dera veneno para nossas galinhas. No mês seguinte, o leitão que minha mãe criava comera um nabo envenenado e morrera. Por fim, eu comera o tomate envenenado largado numa pedra na beira do caminho que eu tinha que percorrer ao voltar da escola. Mal o engoli, tive a impressão de que me rasgavam as entranhas e desabei depois de alguns passos. Meu pai acorreu e me carregou às pressas para casa. Morri cuspindo uma espuma branca assim que ele me colocou na cama.
Eu estava morto, mas não morrera da "febre", isto é, de Aids.
Minha morte resultou da gigantesca coleta de sangue à qual meu pai se dedicara dez anos antes. Eu morrera porque ele se tornara o grande administrador do sangue para a Aldeia dos Ding, a Aldeia dos Salgueiros, a Aldeia das Águas Amarelas, a Aldeia do Segundo Li e outras aldeias da região. Ele era o rei do sangue.
No dia da minha morte, ele não derramou uma lágrima. Primeiro, quedou-se por um instante sentado ao meu lado com meu tio. Em seguida, os dois homens se levantaram e, equipados com uma pá afiada e um machado reluzente, foram se plantar no cruzamento de duas ruas, onde proferiram, com toda a potência de seus pulmões, uma torrente de invectivas destinadas à aldeia.
Meu tio berrou:
- Bando de canalhas, vocês só são bons para envenenarem à socapa, apareçam se tiverem colhões para que eu, Ding Liang, possa lhes arrancar a pele.
Meu pai, agitando sua pá, emendou:
- Vocês todos têm inveja de ver que eu, Ding Hui, sou rico sem ser doente! Tenho certeza! Estão com inveja! Pois bem, eu, Ding Hui, amaldiçoo seus ancestrais até a oitava geração.
Vocês envenenaram minhas galinhas, meu leitão e tiveram a suprema audácia de envenenar meu filho!
Continuaram assim até a noite.
Ninguém se atreveu a aparecer.
Finalmente, me sepultaram

5 de dezembro de 2014

NATAL: SERÁ QUE PAPAI NOEL É REAL PARA TODOS?


NATAL: SERÁ QUE PAPAI NOEL É REAL PARA TODOS?


O Papai Noel não vem pra todos, apesar da falácia publicitária. Inúmeras crianças são frustradas pelo fato de não obterem os presentes tão desejados. Muitos pais se sentem humilhados e constrangidos por não conseguirem comprar os presentes dos seus filhos.

"a publicidade recupera todos os valores para melhor desvalorizá-los e difundir sua ideologia consumista"

O presente, neste caso seria a refeição, a dormida, a segurança, a saúde, a presença familiar, etc., tec.,etc.. 


Nos dias atuais, todos os valores religiosos, sagrados e dogmáticos do Natal, já que estes são os fundamentos da celebração, são profanados pela ideologia capitalista, e as artimanhas publicitárias capitaneadas pela sociedade de consumo que transformaram a celebração natalina em um evento dissociado de seu objetivo primordial.
A prova de amor entre os entes queridos consiste em se dar presentes caros. De acordo com cientistas sociais e pesquisadores “a publicidade recupera todos os valores para melhor desvalorizá-los e difundir sua ideologia consumista. É uma poluição pluridimensional, que não tem outra finalidade se não estimular o consumo dos produtos do sistema industrial, isto é, da matriz de todas as poluições. Nesse sentido, a publicidade é a poluição das poluições”.


A sociedade capitalista é baseada nos signos de consumo, sucesso pessoal e promessas de felicidade mediante a satisfação do gozo. As relações pessoais estão longe de serem calcadas somente na afetividade. Vive-se a era em que o status e os signos das marcas são combustíveis para a aquisição de um pretenso bem-estar existencial. A felicidade interior evadiu-se na sociedade de consumo, poucos são capazes de vivenciá-la plenamente no cotidiano, muitos consideram que o bem-estar efêmero decorrente da fruição dos bens de consumo é a autêntica felicidade, de modo que criam, assim, uma confusão fundamental entre as duas experiências. Conforme a perspicaz análise de Erich Fromm (1900-1980), “a felicidade do homem moderno consiste na emoção de olhar vitrines e comprar tudo o que lhe é possível, à vista ou a prazo”.


A partir do desenvolvimento do regime capitalista, as relações interpessoais passam a ser mediadas pelas coisas, ou seja, quem nada tem nada é; decorre daí todas as distinções sociais provenientes da exaltação das posses materiais. Passamos a projetar nos objetos qualidades fantasmagóricas que interferem imediatamente nas relações sociais, interpondo-se entre os indivíduos, originando-se daí o fenômeno denominado por Karl Marx (1818-1883) como “fetichismo da mercadoria”.


Os objetos adquirem qualidades mágicas que encantam os sentidos dos consumidores, e todas as relações sociais são mediadas por objetos de consumo, que se tornam barreiras entre as subjetividades. Assim, o caráter alienado de um mundo em que as coisas se movem como pessoas, e as pessoas são dominadas pelas coisas que elas próprias criam. A consciência humana projeta para o produto uma espécie de energia oculta que se torna seu objeto de culto sagrado, celebrado nos altares capitalistas das vitrines das lojas.


Consumo: felicidade e angústia


A sociedade de consumo em sua falência ética considera que a morte de um cidadão é menos importante que as vitrines de uma loja atacada pelo clamor popular, e empresários cínicos fazem patéticos rituais fúnebres para os produtos destruídos pela ação revolucionária das multidões, mas sequer se preocupam com as condições de vida dos miseráveis deserdados cotidianamente pelo Estado plutocrático, capitalista. Esse mesmo empresário que condena a luta popular contra a opressão pelo fato de tal revolta prejudicar os seus interesses pecuniários é o mesmo sujeito que oprime o trabalhador impondo-lhe jornadas de trabalho exaustivas em nome do cumprimento de índices de venda exorbitantes, pagando-lhe uma miséria por sua labuta.


Os critérios “morais” da sociedade consumista, herdeira do tecnicismo industrial, consistem na obrigação incondicional do indivíduo se apresentar publicamente como alguém plenamente capacitado a consumir, mesmo que tal ato não resulte na satisfação de uma necessidade básica, imprescindível para o estabelecimento do bem-estar e saúde individual. A lógica consumista faz da disposição de adquirir coisas uma necessidade vital, e o sistema espetacular da propaganda contribui de forma colossal para tal relação fetichista.

O Papai Noel não vem pra todos, apesar da falácia publicitária. Inúmeras crianças são frustradas pelo fato de não obterem os presentes tão desejados. Muitos pais se sentem humilhados e constrangidos por não conseguirem comprar os presentes dos seus filhos. Sendo assim, são consumidores falhos que não cumpriram as metas normativas do capitalismo natalino.


O amor sagrado sucumbiu diante do poder diabólico das mercadorias encantadas. Feliz Natal!?

Fonte: Daniel Mazola é Conselheiro e Secretário da Comissão de Defesa da Liberdade e Direitos Humanos da ABI

NELSON MANDELA: UM ANO DE MORTE!

África do Sul lembra um ano da morte de Mandela



O aniversário de um ano da morte de Nelson Mandela, considerado o maior líder do Continente Africano e um dos principais símbolos mundiais de luta contra a desigualdade racial, será lembrado hoje (5) na África do Sul. Na noite de 5 de dezembro de 2013, o atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou, em rede nacional de televisão, que o primeiro presidente negro do país tinha morrido. "Ele está descansando. Ele está em paz. Nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu um pai", disse Zuma em seu pronunciamento.

Pretória (África do Sul - 11/12/2013) - Sul-africanos foram prestar as últimas homenagens ao ex-presidente Nelson Mandela, no Union Buildings, Palácio do Governo (Marcello Casal Jr/Arquivo Agência Brasil)

Para marcar a data, que também está sendo lembrada em várias partes do mundo, o governo da África do Sul, juntamente com a Fundação Nelson Mandela, realizou nesta manhã - às 8h em Pretória (4h em Brasília) - uma cerimônia nos jardins do Palácio Union Buildings, a sede do governo, aos pés da estátua do ex-presidente, de 9 metros de altura. A homenagem contou com a participação de veteranos da luta pela liberdade e de outros que lutaram com Mandela contra o regime segregacionista do apartheid. Assim como ocorreu durante os três dias do velório, há um ano, os portões do palácio também foram abertos à população.

A fundação e o governo também convocaram igrejas, escolas, fábricas, mesquitas e outras repartições a tocar seus sinos, sirenes, megafones, para chamar a atenção das pessoas e fazer três minutos de silêncio, a partir das 10h (6h em Brasília), em homenagem a Madiba, nome do clã de Mandela e pelo qual era carinhosamente chamado. Em Joanesburgo, no Estádio Bidvest Wanderers, será realizada, a partir das 18h30 (14h30 em Brasília), uma partida espetáculo entre as seleções nacionais de Rugby e de Cricket, dois dos esportes mais populares na África do Sul, com shows ao vivo de artistas locais e sessão de autógrafos após o jogo, cuja renda será revertida para a Fundação Nelson Mandela.

O governo também convidou os sul-africanos a vestirem hoje sua blusa favorita e outras recordações com a imagem de Mandela. Pelo Twitter e Facebook, incentivou pessoas de todo o mundo a compartilhar memórias de Madiba, postando fotos, vídeos e histórias relacionadas a ele com a hashtag #RememberMandela. Em seu site, a Fundação Nelson Mandela, oferece um espaço para que as pessoas façam seu tributo a Madiba e possam ler as mensagens deixadas por pessoas de todo o mundo.


Depois de ficar 27 anos na prisão por sua militância contra o regime de segregação racial doapartheid, Mandela foi libertado em 1990. Após quatro anos, com a insustentabilidade do regime vigente e a realização das primeiras eleições em que os negros tiveram direito a voto, Madiba foi eleito pelo povo. Sua vitória levou à implementação da mais importante transição política dos tempos modernos, em um esforço de reconciliação das raças e refundação do país, transformando-o no “Pai da Pátria” e líder político global, levantando a bandeira da paz e também do combate à aids, doença que atinge cerca de 20% da população adulta da África do Sul.

A reportagem da Agência Brasil viajou à África do Sul logo após a notícia da morte de Nelson Mandela e registrou os principais momentos daquele que é considerado o maior funeral deste século, com a presença de quase 100 chefes de Estado e de governo, além de dezenas de personalidades mundiais e ex-presidentes de diversas nações. Nas matérias e na galeria de fotos mostra a emoção da população, as imensas filas enfrentadas para dar o último adeus ao principal líder africano e as homenagens prestadas.

4 de dezembro de 2014

SEREIAS: OS MISTÉRIOS DO OCEANO


Você já deve ter se perguntado se alguma criatura mítica ou fantástica existe de fato, ou se essas figuras são fruto da imaginação de algum louco ou artista. 
Há múltiplas explicações que justificam a Hipótese do Macaco Aquático, entre elas:
1. O fato de sermos os únicos primatas que não tem o corpo totalmente recoberto por pelos, uma condição só existente em ambientes aquáticos ou subterrâneos.
2. Os humanos são os únicos mamíferos bípedes. Essa transformação não ocorreria facilmente na savana africana, onde evoluíram os primeiros homens. Já na água, o corpo humano tende a manter essa posição.
3. A respiração do ser humano é diferente da de outros mamíferos, já que temos a capacidade de controlá-la voluntariamente. Tal como os mamíferos marinhos, podemos inalar o ar necessário para mergulhar e depois voltar à superfície para respirar.
4. Assim como os mamíferos aquáticos, e ao contrário dos terrestres, os humanos possuem uma reserva de gordura que retêm durante todo o ano.
5. As lágrimas, a sudorese excessiva e a porção de pele que separa o polegar do dedo indicador sugerem antepassados aquáticos segundo os adeptos da teoria.
6. Por último, nossa facilidade de nadar, em comparação à falta de jeito de muitos mamíferos terrestres na água, sugere que evoluímos de seres aquáticos.

As sereias são seres descritos minuciosamente em relatos, livros e filmes, mas será que elas existem ou existiram em um passado remoto?
Uma das teorias é a Hipótese do Macaco Aquático: ancestrais mais ou menos próximos dos humanos teriam adotado, durante um certo período, um estilo de vida semiaquático na costa africana, seja pela necessidade de buscar alimento na água ou de defender-se de predadores.
De qualquer modo, esse fato pode ter influenciado sua evolução, gerando uma subespécie anfíbia, enquanto outros hominídeos mantiveram uma existência puramente terrestre.
Embora tenha sido abandonada ao longo dos anos, ao menos três estudiosos – Max Westenhofer, ideólogo, Sir Alister Hardy, biólogo marinho, e Elaine Morgan, escritora feminista – se dedicaram a desenvolver essa teoria.
As sereias teriam uma linguagem tão complexa e desenvolvida como a dos humanos.
Os detratores descartam a teoria enfatizando, por exemplo, que existem muitos mamíferos aquáticos totalmente peludos, como lontras e castores. Por outro lado, nenhum mamífero aquático é bípede, e o mais importante, em nenhum momento foram encontrados vestígios fósseis que comprovem a existência de “macacos aquáticos” ou sereias.
No entanto, nos últimos anos, diversas pesquisas sugerem a possibilidade de existirem criaturas aquáticas com uma linguagem tão complexa como a do ser humano, o que fez ressurgir a hipótese das sereias.
Segundo novos estudos, alguns hominídeos podem ter passado por uma adaptação evolutiva ao ambiente aquático, transformando as duas pernas em uma cauda que lhes permitisse nadar com mais facilidade.
E você, no que acredita? Será que as sereias existem mesmo?


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