24 de maio de 2017

BAHIA CAMPEÃO DA COPA DO NORDESTE 2017!!

PELA 3º VEZ O BAHIA CONQUISTA O TÍTULO DE CAMPEÃO DA COPA DO NORDESTE



A Copa do Nordeste de Futebol (também conhecida como Nordestão, Campeonato do Nordeste e Lampions League) é uma competição de futebol disputada entre equipes da Região Nordeste do Brasil.

Considerado um dos campeonatos regionais mais importantes do país (por alguns, o mais importante), o "Nordestão" foi uma competição intermitente no calendário do futebol brasileiro em seus primeiros anos. Organizada oficialmente pela primeira vez em 1994, o torneio foi disputado continuamente entre 1997 e 2003, época em que passou a ser organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).[nota 1] Teve quase todas suas edições canceladas entre 2004 e 2012, com exceção da edição de 2010. Retornou novamente ao calendário do futebol brasileiro em 2013.

Das 13 edições realizadas, houve sete clubes campeões. O Vitória é o maior vencedor do "Nordestão", com quatro títulos,[2][3][nota 2] seguido do Sport Recife, com três conquistas, do Bahia, com duas, e de América de Natal, Campinense, Ceará e Santa Cruz, com uma conquista cada.

Entre as edições de 2014 e 2016, o campeão garantiu também uma vaga na Copa Sul-Americana.[nota 3] A partir da edição de 2015, o campeão passou a garantir uma vaga no torneio amistoso Troféu Asa Branca.[5] A partir da edição de 2017, o campeão garante vaga direta às oitavas de final da Copa do Brasil do ano seguinte.

O Campinense, campeão da edição de 2013, é o único a conquistar o torneio sem levar nenhum gol em seus domínios. O confronto mais vezes repetido em toda a história da competição é entre Vitória e América de Natal, com 21 jogos. Foram 14 vitórias do rubro-negro baiano, 4 do alvirrubro potiguar, além de 3 empates.[6] O América é também a única equipe que esteve em todas as edições do torneio.

MESMO APÓS FALTA DE OPORTUNIDADE, FOME E PRECONCEITO A BRASILEIRA JOANA D'ARC CHEGA EM HARVARD!

PhD em Harvard, brasileira soma 56 prêmios na carreira.
O projeto, com depoimento da cientista, está exposto até o mês de outubro no Museu do Amanhã (Rio de Janeiro). Ele é parte da mostra temporária "Inovanças – Criações à Brasileira"


   Eduardo Carneiro - Colaboração para o UOL 23/05/201718h30

"Toda mulher dá a sua vida pelo que ela acredita". A frase é atribuída à Joana D'Arc, a famosa heroína francesa que viveu no século XV, mas pode muito bem ser usada para resumir a história de uma brasileira que tem o mesmo nome mais de 500 anos depois.

Joana D'Arc Félix de Souza, 53 anos, superou a falta de estrutura, a fome e o preconceito para se tornar cientista, PhD em química pela renomada Universidade de Harvard, dos Estados Unidos. Hoje, ela soma 56 prêmios na carreira, com destaque para a eleição de 'Pesquisadora do Ano' no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim).

Desde 2008, ela também é professora da Escola Técnica Estadual (ETEC) Prof. Carmelino Corrêa Júnior, mais conhecida como Escola Agrícola de Franca, cidade do interior de São Paulo, e molda novas gerações a seguirem sua trajetória inspiradora.


Trajetória que começou na própria Franca: filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume (operação de processamento do couro cru que tem por finalidade deixá-lo utilizável para a indústria e o atacado), Joana mostrou desde cedo que tinha aptidão para o conhecimento.

"Eu era a caçula de três irmãos, tinha certa diferença de idade, então minha mãe me levava com ela para o trabalho. Ela aproveitou que tinham jornais na casa da patroa e me ensinou a ler, para eu ficar mais quieta. Tinha quatro anos e ficava o dia todo lendo", conta ela ao UOL.


"Um dia, a diretora da escola Sesi foi visitar a dona da casa e perguntou se eu estava vendo as fotos do jornal. Respondi que estava lendo. Ela se surpreendeu, me pediu para ler um pedaço e eu li perfeitamente. Coincidentemente, era começo de fevereiro e ela sugeriu que eu fosse uns dias na escola. Se eu conseguisse acompanhar, a vaga seria minha. Deu certo e com 14 anos eu já terminava o ensino médio".

O mesmo curtume que deu ao pai casa (a família vivia numa pequena moradia oferecida pelo patrão) e trabalho por 40 anos acabou influenciando a jovem Joana na hora de escolher uma faculdade. Contando com a ajuda de uma conhecida, ela decidiu prestar vestibular em química, pois estava acostumada a ver profissionais da área atuando no trabalho com o couro.

"Uma professora tinha um filho que fez cursinho e pedi o material para ela. Meu pai e minha mãe não tinham estudo, mas me incentivavam. Eles tinham consciência de que eu só cresceria através de estudos. Passei a estudar noite e dia até entrar na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)", relembra a pesquisadora, que não se deixou abalar pelo preconceito que sofreu até o tão sonhado diploma.

"As cidades de interior têm aquela coisa de sobrenome: se você tem, pode ser alguém, se não tem, não pode. Sempre enfrentei preconceito. Na minha segunda escola, mesmo sendo estadual, tinha aquela coisa de classe para os ricos, classe para os pobres, com tratamentos diferentes. Em Campinas, fora da universidade, também senti um pouco. Infelizmente, o Brasil ainda é um país racista. Pode estar um pouco mais escondido, mas isso ainda existe. Mas não usei isso como obstáculo, e sim como uma arma para subir na vida".



A vida acadêmica

Joana, como previa, passou muita dificuldade em Campinas, a mais de 300 km de sua cidade natal. O dinheiro que recebia do pai e do patrão dele permitia que ela pagasse somente o pensionato onde morava, as passagens de ônibus e o almoço na universidade.

"Às vezes pegava um pãozinho no bandejão da universidade e levava para eu comer em casa à noite. Sentia fome, contava as horas para o almoço (risos). No final de semana também era complicado. Mas nunca desisti. Isso chegou a passar pela minha cabeça, mas não desisti. Fazer isso seria jogar tudo que tinha conquistado até ali no lixo", afirma.

Sua situação só melhorou a partir do segundo semestre, quando começou a iniciação científica e teve o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). "Quando recebi a primeira bolsa, corri para a padaria e gastei uns 50 reais em doces para matar a vontade", ri.

Estimulada por professores a seguir na vida acadêmica e encantada pelo campo de pesquisa, Joana ainda concluiria mestrado e doutorado em Campinas – este último com apenas 24 anos. Um dos artigos da cientista saiu no Journal of American Chemical Society, e logo ela recebeu o convite para seguir os estudos nos Estados Unidos.

O pós-doutorado de Joana foi concluído na Universidade de Harvard. Um professor solicitou que ela aplicasse em seu trabalho um problema brasileiro, e ela optou pelos resíduos de curtume nas fábricas de calçados – desenvolveu a partir destas substâncias poluentes um fertilizante organomineral. Questionada sobre a condição de trabalho em solo americano e no seu país natal, a cientista aponta um fator que faz muita diferença.

"Nos Estados Unidos, eu pedia um reagente químico e em duas ou três horas conseguia. No Brasil, até eu arrumar dinheiro, fazer solicitação... Aqui tem mais burocracia. A questão de financiamento para pesquisa é bem mais rápida nos Estados Unidos".

A brasileira ficaria mais tempo nos Estados Unidos não fosse uma tragédia familiar: sua irmã morreu aos 35 anos, vítima de parada cardíaca, mesma causa do falecimento do pai, apenas um mês depois. Joana decidiu voltar para o Brasil e cuidar da mãe e de quatro sobrinhos deixados pela irmã.

Novamente em Franca, a cientista procurou oportunidades em curtumes da cidade natal até que recebeu o convite para se tornar professora da ETEC em 2008.

"Quis desenvolver este trabalho de iniciação científica desde a educação básica, e o resultado foi excelente. Reduzimos a evasão escolar. A escola é tradicional, tem mais de 50 anos, e é agrícola. Muitos dos alunos são filhos de fazendeiros da região e não sabiam por que estudar. Muitos achavam que o ensino técnico era o fim, era o máximo que iriam conseguir. Mas, com as idas às feiras e congressos, eles começaram a pensar mais alto, em ir para a universidade, e não estudar só porque o pai manda".

Colhendo os frutos

O trabalho com os resíduos de curtume é só um dos muitos de destaque que Joana executou nos últimos anos. Em especial, ela e sua equipe de alunos em Franca conseguiram desenvolver uma pele similar à humana a partir da derme de porcos. Isso ajudaria no abastecimento de bancos de pele especializados e de hospitais, além de baratear o custo de pesquisas, uma vez que a matéria-prima do animal é abundante e de baixo custo.

O projeto, com depoimento da cientista, está exposto até o mês de outubro no Museu do Amanhã (Rio de Janeiro). Ele é parte da mostra temporária "Inovanças – Criações à Brasileira", que tem o intuito de revelar trabalhos inovadores de cientistas brasileiros, muitos deles desconhecidos do público.
Joana ainda comandou pesquisa que resultou na produção de um tecido ósseo feito a partir de materiais também encontrados na natureza: escamas de peixes e colágeno de curtume. Ela e alunos da ETEC vão em junho a uma feira em Oswegon, Estados Unidos, apresentar este projeto, juntamente ao da pele artificial a partir de tecido de porco.

Como resultado deste trabalho, a professora e cientista já soma 56 prêmios na carreira. Destaque para a eleição de 'Pesquisadora do Ano' no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim), além de projetos vitoriosos em concursos do Conselho Regional de Química do Estado de São Paulo e da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que acontece anualmente na USP (Universidade de São Paulo).

Para Joana, porém, a maior recompensa vem no dia a dia. "Alguns jovens estavam no caminho errado, mas fazendo a iniciação científica encontraram um rumo. Eles tomam gosto pela pesquisa. Muitos pais vieram me agradecer, e isso é muito gratificante dentro da escola básica", diz ela, antes de concluir: "as armas mais poderosas que temos para vencer na vida são a educação e o estudo"

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/05/23/phd-em-harvard-brasileira-supera-fome-e-preconceito-e-soma-56-premios-na-carreira.htm

21 de maio de 2017

OAB QUER IMPEACHMENT DE TEMER APÓS VOTAÇÃO COM 25 VOTOS CONTRA 02!


OAB decide apresentar à Câmara pedido de impeachment de Michel Temer

Conselho Federal da entidade se reuniu neste sábado em Brasília. Das 27 representações estaduais e do Distrito Federal, 25 votaram pela abertura de processo de impeachment do presidente.



Depois de mais de sete horas de reunião, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil decidiu na noite deste sábado (20), por 25 votos a 1, aprovar o relatório que recomenda que a entidade ingresse com pedido de impeachment do presidente Michel Temer. O pedido será protocolado nos próximos dias na Câmara dos Deputados.


Cada voto representa a OAB de um estado ou do Distrito Federal (DF). O Acre, ausente, não votou. A representação do Amapá foi a única a votar contra o pedido de impeachment. Todos as demais unidades da federação votaram a favor do pedido.
O relatório foi elaborado por uma comissão formada por seis conselheiros federais e concluiu que “as condutas do presidente da República, constantes de inquérito do STF, atentam contra o artigo 85 da Constituição e podem dar ensejo para pedido de abertura de processo de impeachment”.
Na votação, o Conselho Pleno da OAB decidiu pelo pedido de abertura de processo de impeachment por considerar que o presidente Michel Temer cometeu crime de responsabilidade.
Temer é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizado pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, para que ele seja investigado por suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.
O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, afirmou que o momento é de "tristeza".
“Estamos a pedir o impeachment de mais um presidente da República, o segundo em uma gestão de um ano e quatro meses. Tenho honra e orgulho de ver a OAB cumprindo seu papel, mesmo que com tristeza, porque atuamos em defesa do cidadão, pelo cidadão e em respeito ao cidadão. Esta é a OAB que tem sua história confundida com a democracia brasileira e mais uma vez cumprimos nosso papel”, disse.
A comissão da OAB que elaborou o parecer pró-impeachment foi formada logo depois da revelação dos áudios e do teor da delação à Procuradoria Geral da República (PGR) dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa JBS. Integraram a comissão Ary Raghiant Neto (MS), Delosmar Domingos de Mendonça Júnior (PB), Flávio Pansieri (PR), Márcia Melaré (SP) e Daniel Jacob (AM).
A comissão apontou falha do presidente ao não informar às autoridades a admissão de crime por Joesley Batista, que na noite de 7 de março deste ano usou um gravador escondido para registrar diálogo com Temer durante encontro na residência oficial do Palácio do Jaburu. Na ocasião, Joesley disse que teria corrompido um juiz, um juiz substituto e um procurador da República.
Segundo a comissão, Temer faltou com o decoro ao se encontrar com o empresário sem registro da agenda e supostamente ter prometido agir em favor de interesses dele. Para a comissão, ao não informar sobre cometimento de ilícitos, Temer incorreu em omissão, infringiu a Constituição, a Lei do Servidor Público, cometendo crime de peculato.

Defesa queria mais tempo

Durante a reunião do Conselho Federal da OAB, o advogado Gustavo Guedes, em defesa do presidente Michel Temer, pediu mais tempo para apresentar defesa diante do órgão. Carlos Marun, advogado e deputado do PMDB, também pediu que o conselho aguardasse uma perícia sobre os áudios antes de decidir.
Mas o pedido da defesa foi rejeitado. Na votação, 19 das 27 bancadas que representam os estados se manifestaram pela rejeição dos argumentos da defesa. Sete bancadas (AL, AP, DF, MA, MT, PR e SC) foram favoráveis ao pedido da defesa. A bancada do Acre não votou.
Votaram pela rejeição do pedido de Temer e pelo prosseguimento da análise do relatório da comissão da OAB, favorável ao impeachment, as bancadas de AM, BA, CE, ES, GO, MS, MG, PA, PB, PE, PI, RJ, RN, RS, RO, RR, SP, SE e TO.
Na discussão do mérito do relatório da comissão, os conselheiros também abordaram a questão da possibilidade de eleições diretas ou indiretas para a Presidência da República.
Alguns conselheiros argumentaram que o Congresso não tem legitimidade para promover uma eleição presidencial indireta; outros argumentaram que aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC) sobre a eleição direta poderia significar casuísmo.
Ex-presidente nacional da OAB, Cézar Britto defendeu a "consulta ao povo" como saída para a crise. Argumentou ainda que a análise do caso tem de ir além da perícia dos áudios e considerar o contexto. Ressaltou o fato de que até agora não foi desmentido que os que cometeram ilícitos agiram em nome do presidente. Britto também declarou que "é preciso reagir à delação premiadíssima", e que o MP não pode devolver apenas parte do patrimônio desviado. Ainda nessa linha, ele argumentou que, nesta delação premiadíssima, devolve-se metade do que foi roubado e legaliza-se o resto.
O presidente da OAB-SP, Marcos da Costa, defendeu a solução pela Constituição – ou seja, a eleição indireta.
Joaquim Felipe Spadoni, conselheiro de Mato Grosso, argumentou contra o "achincalhe" da colaboração premiada. Numa dura crítica aos empresários da JBS, afirmou que a sociedade não consegue acreditar que criminosos estão livres passeando em Nova York. Falou a favor de se pensar em medidas alternativas.
Raimundo Palmeira, conselheiro de Alagoas, argumentou que quem se relaciona com bandido confesso não tem condições de comandar uma nação.
Henri Clay Andrade, presidente da OAB-SE, disse que é preciso "bater forte" na "farra da delação premiada". E que o "prêmio" dado à JBS é um escândalo de grandes proporções. E que não vai haver estabilidade política se for eleito um presidente no conchavo de deputados e senadores.
Nos discursos, os conselheiros também defenderam a necessidade de Reforma Política.

Temer questiona áudio

A defesa do presidente Michel Temer protocolou, por volta das 16h deste sábado, petição no STF em que pede a suspensão do inquérito que o investiga por suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.
Mais cedo, em pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer havia afirmado que pediria a suspensão do inquérito após reportagem da "Folha de S. Paulo" informar, com base na opinião de peritos ouvidos pelo jornal, que houve edição no audio da conversa entre ele e o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista.

Pedidos de impeachment


O Conselho Federal da OAB é a instância de deliberação que decidiu favoravelmente ao impeachment dos ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff. A OAB também foi instada a se manifestar, na época, sobre pedidos de impeachment dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, mas entendeu que não era o caso.

13 de maio de 2017

A AFRICA TEM MILHÕES DE PESSOAS USADAS COMO COBAIAS PELOS GRANDES LABORATÓRIOS DO MUNDO!

LABORATÓRIOS GANHAM BILHÕES, A PARTIR DO USO DA POPULAÇÃO POBRE, EM PAÍSES DA AFRICA COMO COBAIAS PARA TESTES LABORATORIAIS!! 
CADÊ A ONU, ELA DEFENDE QUAIS INTERESSES MESMO?



As populações do Sul, em especial as africanas, são cobaias dos testes clínicos de grandes laboratórios que testam ali, à guisa de princípios éticos, medicamentos que servem aos mercados do Norte
Em março de 2005, os testes clínicos com o Tenofovir®, um antivirótico utilizado no tratamento da Aids, foram suspensos na Nigéria, por motivo de problemas éticos graves. Conduzidas pela associação Family Health International [Saúde da Família Internacional], sob responsabilidade do laboratório norte-americano Gilead Sciences, essas experiências foram financiadas pelo governo norte-americano e pela Fundação Bill and Melinda Gates. Embora tenham sido interrompidas em Camarões (fevereiro de 2005) e no Camboja (agosto de 2004) 1, tiveram prosseguimento na Tailândia, em Botsuana, Malavi, Gana e nos Estados Unidos.
Em agosto de 2001, desvios semelhantes levaram à abertura de uma ação judicial. Cerca de trinta famílias nigerianas compareceram diante de um tribunal nova-iorquino com o objetivo de condenar o laboratório norte-americano Pfizzer pelo teste do Trovan®, um antibiótico destinado a combater a meningite. Durante o estudo realizado em 1996 por ocasião de uma epidemia de meningite, onze de duzentas crianças morreram e várias outras ficaram com graves seqüelas cerebrais ou motoras2.
Em todos os países do Sul, indústrias farmacêuticas organizaram testes clínicos a despeito da ética e da segurança dos pacientes: ausência de consentimento dos sujeitos, informação sumária, controle terapêutico insuficiente, benefício imperceptível para o doente ou para a população... No entanto, o teste clínico constitui um procedimento formalizado e rigoroso, indispensável à validação e à comercialização de um novo medicamento. Serve para avaliar sua tolerância e medir sua eficácia. Cerca de 100 mil testes clínicos seriam conduzidos anualmente no mundo, 10% deles nos países em via de desenvolvimento e 1% na África. Em 1999, os fundos públicos e privados norte-americanos teriam financiado 4.458 testes fora dos Estados Unidos, enquanto esse número se limitara a 271 em 19903.
Regulamentação ao sabor de escândalos
A “medicina das provas”, que envolve a utilização de estatísticas e a prática de testes, foi imposta no Ocidente a partir do final do século XIX4. O desenvolvimento da ética médica após a II Guerra Mundial – o primeiro documento sobre o assunto é o Código de Nuremberg, adotado logo após o processo dos médicos nazistas em 1947 – só foi traduzido aos poucos para o domínio farmacêutico. Ao sabor dos escândalos e dos acidentes, elaborou-se uma regulamentação. Várias declarações internacionais completam e dão mais precisão ao Código de Nuremberg, principalmente as de Helsinque em 1964 e de Manila em 1981: a primeira define os princípios éticos da pesquisa médica; a segunda foi especialmente concebida para os estudos clínicos conduzidos nos países em desenvolvimento. Esses textos insistem particularmente na competência dos pesquisadores, no respeito ao consentimento dos participantes, no caráter confidencial e na proteção dos sujeitos. No entanto, trata-se de recomendações que não prevêem nenhuma sanção.
Na França, os escândalos do Stalinon®, um anti-séptico que matou 102 pacientes em 1955, da talidomida, responsável por 12 mil embriopatias de 1957 a 1962, e do talco Morghange, que intoxicou 145 bebês e matou outros 36 em 1972, para citar apenas os mais conhecidos, contribuíram para impor os testes clínicos e para especificar as regras que os regem. Mas foi preciso aguardar a lei Huriet-Serusclat, de 20 de dezembro de 1988, para que as exigências deontológicas fossem definitivamente fixadas, reconhecendo implicitamente que, durante duas décadas, os testes clínicos foram conduzidos na ilegalidade completa.
Na África, as possíveis regulamentações médicas e farmacêuticas datam da época colonial e parecem obsoletas e inadequadas5. Os riscos de falta de ética são ainda maiores porque os laboratórios fazem cada vez mais seus testes no continente negro. Na verdade, ali, seu custo é até cinco vezes menor do que nos países desenvolvidos. Além disso, as condições epidemiológicas na África se revelam constantemente mais propícias à realização de testes: freqüência elevada de doenças, sobretudo infecciosas, e existência de sintomas não atenuados por tratamentos reiterados e intensivos. Enfim, o caráter dócil dos pacientes, em grande miséria, dada à pobreza das estruturas sanitárias locais, facilita as operações.
Ética contornada
Esse cenário ajuda a contornar os princípios éticos. Foi assim que, durante o teste clínico do Trovan®, nem as autoridades nigerianas, nem o comitê ético foram consultados, pelo menos formalmente, sobre a informação dada às famílias e os arquivos de seu consentimento. Da mesma maneira, os testes do antivirótico Tenofovir® em 400 prostitutas de Camarões, de julho de 2004 a janeiro de 2005, não cumpriram as exigências éticas. Essa molécula reduz a transmissão do VIS, o equivalente ao HIV no macaco. O fabricante queria verificar essa propriedade no ser humano e escolheu uma população de risco, as trabalhadoras do sexo de um país com grande número de casos de HIV, devido a seu elevado risco de contrair o vírus.
As voluntárias, muitas vezes francófonas e analfabetas, em primeiro lugar receberam uma informação escrita em inglês. Segundo as associações Act up Paris e a Réseau Camerounais Éthique, Droit et Sida (REDS), algumas mulheres pensavam até que estavam sendo vacinadas. Além disso, a utilização por parte delas de um placebo6 – necessário para medir a eficácia do medicamento – não foi acompanhada de um reforço em seu acompanhamento médico e na prevenção da Aids. Curiosamente, isso parece não ter alertado o comitê nacional de ética de Camarões. No entanto, lembra Fabrice Pilorgé, da associação Act up, “há um evidente conflito de interesses entre fazer a prevenção e conduzir um teste por meio de um medicamento preventivo” – principalmente, salienta ele, porque “o teste só pode funcionar se as moças forem expostas e se infectarem”.
Os comitês éticos foram recomendados desde 1964, na declaração de Helsinque, pela Associação Médica Mundial. Eles devem examinar o protocolo de experimentação antes do teste, assegurar sua pertinência e verificar sua aplicabilidade no contexto social e econômico dos locais onde o estudo será realizado. Os comitês se instalam muito gradualmente na África há uns dez anos, mas nem sempre têm competência7 e meios necessários.
Interesses contraditórios
Se os testes clínicos devem ser efetuados na África, dada a própria natureza das patologias que ali se desenvolvem, as condições particulares do exercício da medicina e da vigilância dos efeitos nocivos dos remédios são sempre pertinentes? Dos 1.450 novos medicamentos comercializados entre 1972 e 1997, somente 13 concernem às doenças tropicais8. É a própria indústria farmacêutica que escolhe, financia e organiza esses estudos. A seleção dos medicamentos que constituem o objeto de estudo e sua avaliação são, assim, sistematicamente enviezados: por um lado, os laboratórios se preocupam sobretudo com a rentabilidade de seus investimentos; por outro, as autoridades locais se esforçam para definir uma política clara e coerente do medicamento que lhes permita efetivamente controlar a atividade dos laboratórios.
A oposição entre interesses científicos e comerciais exacerba-se nos países em via de desenvolvimento, devido à defasagem considerável entre os interesses industriais do medicamento e a pobreza dos países do Sul. No final da década de 1990, a cifra dos negócios mundiais da indústria farmacêutica (380 bilhões de euros) era superior ao produto interno bruto dos países da África Subsaariana (300 bilhões de euros).
Por exemplo, o teste clínico do Trovan® talvez pudesse ser justificado cientificamente, pois permitia testar sua eficácia em condições homogêneas em um número apropriado de pacientes, no caso, 200 crianças. No entanto, os realizadores do teste não se perguntaram nem sobre o custo do produto, nem sobre as possibilidades de sua comercialização na ausência de um responsável pelas despesas ou de reembolso e, portanto, sobre sua improvável utilização na África.
Regras para os pobres
Não se perguntou mais sobre a credibilidade do Tenofovir® na África. Na verdade, se o teste clínico confirma a interrupção da transmissão do HIV, o Tenofovir® será proposto na profilaxia da Aids. Esse objetivo é realista em um continente onde o tratamento dos doentes e o uso do preservativo, disponível e mais barato, provocam tantas dificuldades? A questão merece ser colocada: a experiência da profilaxia antipaludismo demonstrou muito bem que a ingestão diária e permanente de um medicamento, sobretudo se for caro e a pessoa estiver com a saúde perfeita, é ilusória. Há quem não hesite em pensar que o teste clínico tenha sido efetuado nos países do Sul, e sobretudo entre as prostitutas, porque permitia a obtenção de uma resposta rápida e decisiva, sem complicação administrativa nem custos excessivos.
Alguns cientistas, como Philippe Kourisly, diretor-geral do Instituto Pasteur, em Paris, sustentam que a urgência de responder às necessidades sanitárias no terceiro mundo permite tornar as obrigações regulamentares mais maleáveis9. No entanto, desqualificar o princípio de precaução devido a seu custo dá indícios de que existe uma variação geográfica de critérios10. No Norte, a prioridade seria dada ao valor intrínseco do produto. No Sul, a segurança seria subordinada à possibilidade de pagamento: a população deveria se contentar com o que pode pagar se a eficácia for confirmada pela prática. Uma apropriação do teste clínico pelos africanos é indispensável para a saúde pública e poderiam ser concernentes também à farmacopéia tradicional Estabelece-se, assim, uma espécie de imperialismo estratégico, que impõe regras específicas aos pobres sem lhes perguntar se as aceitam. Afirmar, como Philippe Kourilsky, que seria ao contrário “uma forma de imperialismo ideológico para difundir regras de ricos àqueles que não podem endossá-las” abre a via a um relativismo dificilmente aceitável. Terceiros – ainda mais os que definem as regras – não podem designar quem pode ou não “endossá-las”.
Opções em casa
Uma apropriação do teste clínico, pelos africanos, parece indispensável para a satisfação das necessidades específicas da saúde pública no continente. Essa questão é mais importante ainda porque os testes podem ser concernentes também à farmacopéia tradicional, cuja utilização é mais econômica e mais aceita pela população. A experiência clínica poderia demonstrar a inocuidade e a eficácia dos remédios, valorizando assim o patrimônio nacional. Conseqüentemente, poderia surgir uma indústria farmacêutica local. Plantas africanas, reputadas como anti-infecciosas, anti-inflamatórias ou diuréticas poderiam ser usadas contra as infecções, reumatismos, hipertensão ou insuficiência cardíaca, e seguiriam os exemplos, a partir de então famosos, da quinina extraída da quina, a aspirina proveniente do chorão-salgueiro, a reserpina isolada de uma Rauwolfia serpentina africana e os anticancerígenos derivados da pervinca de Madagascar.
Os medicamentos experimentados na África devem corresponder às necessidades do continente. Deveriam satisfazer vários critérios específicos, determinados para sua futura utilização: eficácia e inocuidade do produto diante da insuficiência da vigilância dos efeitos nocivos dos remédios; facilidade de uso do medicamento (simplicidade na prescrição, administração e conservação), favorecendo a distribuição e a adesão dos pacientes ao tratamento e servindo como paliativo às fragilidades do sistema de saúde; acessibilidade do produto. Mas trata-se, sobretudo, de suscitar uma capacidade local de decisão, de realização e de vigilância, que permita aos países do Sul explorar com a máxima independência as pesquisas clínicas.

Leia também: http://www.ihu.unisinos.br/518774-a-africa-e-e-foi-um-grande-laboratorio-afirma-o-antropologo-juan-obarrio
(Trad.: Wanda Caldeira Brant)
1 - “Complément d’enquête”, France 2, 17 de janeiro de 2005.
2 - A sentença ainda não foi proferida.
3 - Fonte: Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais, Washington, 2001.
4 - Ler, de Harry Marks, La médecine des preuves: Histoire et anthropologie des essais cliniques (1900-1990), Institut Synthélabo, col. “Les empêcheurs de penser en rond”, Paris, 1999.
5 - Ler, de Jean-Pierre Olivier de Sardan, “Une médecine de proximité et de qualité pour l’Afrique”, Le Monde diplomatique, fevereiro de 2004.
6 - Trata-se de comparar os resultados de dois grupos, um que recebe efetivamente a molécula e outro, um comprimido que não contém o princípio ativo.
7 - Ver o site Pan-African bioethics initiative, www.pabin.net/
8 - Patrick Touillet, C. Battistella, J. Pinel, Bernard Pécoul, “Is orphan drog status beneficial to tropical disease control?”, Tropical Medecine and International Health, Oxford, 1999, págs. 412-420.
9 - Philippe Kourilsky, Vaccination: quand l’éthique devient immorale. Pour la Science, Paris, 2004, 322, 8-11.
10 - Ler o relatório para o primeiro-ministro realizado por Philippe Kourilsky et Geneviève Viney, Le principe de précaution, Odile Jacob et Documentation française, Paris, 2000.

Fonte: http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/os-testes-clinicos-dos-grandes-laboratorios-na-africa

1 de maio de 2017

IBGE CONSTATA QUE DESEMPREGO CONTINUA AUMENTANDO RAPIDAMENTE


AFASTAR DILMA SERIA UM PRESSUPOSTO NECESSÁRIA A CONFIANÇA DO INVESTIDOR PARA GERAÇÃO DE EMPREGO E RETOMADA DO INVESTIMENTO NAS EMPRESAS. PELO VISTO NÃO TEM FUNCIONADO. O ARGUMENTO AGORA É A “SEGURANÇA JURÍDICA”, PARA ISSO SERÃO NECESSÁRIAS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA, TRABALHISTA, SINDICAL, TRIBUTÁRIA, NO MODAL LOGÍSTICO E NA REGULAÇÃO (CONCESSÕES DE PORTOS, AEROPORTOS, ESTRADAS, FERROVIAS) E AINDA TETO DE GASTOS (CORTES SOCIAIS) E, POR FIM, REFORMA POLÍTICA, OU SEJA, SERÁ VENDERAM GATO POR LEBRE? ENQUANTO ISSO O DESEMPREGO CRESCE ACENTUADAMENTE!



Desemprego no Brasil no primeiro trimestre é de 13,7% e atinge 14,2 milhões de trabalhadores, revela novo levantamento do IBGE. Índice é o mais alto desde que o instituto começou a publicar a pesquisa

O desemprego no país foi de 13,7%, em média, no primeiro trimestre do ano, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa é a mais alta para trimestres desde que o instituto começou a publicar a pesquisa, em 2012.

No período, o número de desempregados no Brasil foi de 14,2 milhões de pessoas.

São cerca de 1,8 milhão de desempregados a mais do que no trimestre de outubro a dezembro, alta de 14,9% na população desocupada. Em um ano, são 3,1 milhões de pessoas a mais sem emprego, um aumento de 27,8%.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (28) e fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE. A pesquisa não usa só os trimestres tradicionais, mas períodos móveis (como fevereiro, março e abril; março, abril e maio etc.).

O número de pessoas com trabalho foi de 88,9 milhões entre janeiro e fevereiro, queda de 1,5% em relação ao período de outubro a dezembro, ou 1,3 milhão de pessoas a menos.

Em um ano, o total de trabalhadores caiu 1,9%, o que equivale a cerca de 1,7 milhão de pessoas.

O número de empregados com carteira assinada ficou em 33,4 milhões, queda de 1,8% na comparação com o trimestre de outubro a dezembro, ou 559 mil pessoas a menos com carteira. Em um ano, o país perdeu 1,2 milhão de empregos com carteira, recuo de 3,5%.
Um ano de Michel Temer

A divulgação dos dados do IBGE acontece semanas antes de Michel Temer completar 1 ano no poder. No dia 12 de maio de 2016, o Senado Federal decidiu afastar Dilma Rousseff da Presidência da República.

Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/04/ibge-desemprego-no-brasil-em-2017-atinge-nivel-recorde.html


27 de abril de 2017

ÀS VÉSPERAS DE GREVE GERAL, REFORMA TRABALHISTA É APROVADA NA CÂMARA

A SAÍDA É PARAR O PAIS, CASO CONTRÁRIO, O ROLO COMPRESSOR NÃO VAI PARAR!


A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, dia 26, a reforma trabalhista do Governo Michel Temer (PMDB). O projeto de lei que faz a maior alteração nas regras envolvendo patrões e empregados em sete décadas foi aprovado por 296 votos a favor e 177 contra. A proposta será enviada ao Senado Federal depois que os deputados aprovarem os destaques que ainda precisam ser analisados. A expectativa do Governo é que ainda no primeiro semestre deste ano a reforma também seja aprovada pelos senadores. O placar é considerado um termômetro para outra votação estratégica: na próxima semana, o embate, bem mais difícil, será em torno da reforma da Previdência. Para aprovar alteração nas aposentadorias da grande maioria dos trabalhadores brasileiros serão necessários mais do que a maioria simples desta quarta, ou 308 votos da maioria qualificada em dois turnos de votação.
A fácil vitória da base aliada do peemedebista foi marcada por uma tumultuada e demorada sessão. Foram mais de dez horas de debates. Sem votos para rejeitar a proposta, a oposição tentou obstruir a votação de todas as maneiras. Fez uma série de protestos, com cartazes, faixas, cruzes e caixões de papelão tentando mostrar que as alterações representam “a morte” da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Uma das discussões durante a sessão foi a de não deixar a votação ser nominal. Ou seja, os deputados da base de Temer queriam uma votação simbólica, sem que os nomes dos parlamentares aparecessem como voto favorável ou contrário ao projeto. O temor era serem vítimas dos manifestantes que convocaram a greve geral para a próxima sexta-feira, dia 28, tanto contra a reforma trabalhista como a da Previdência. A mobilização que cresce em adesão tenta transformar em resistência ativa a impopularidade do presidente Temer - sua aprovação caiu a apenas 4% segundo o instituto Ipsos - e será um teste para a capacidade das ruas de influenciarem as decisões do Congresso nas próximas semanas.
A reforma trabalhista, se aprovada no Senado, acabará com a contribuição sindical obrigatória, determina que o que for negociado entre patrões e empregados prevalece sobre a legislação e dificultará o acesso dos servidores à Justiça do Trabalho. O texto cria uma jornada intermitente de serviço, regulariza o home office e exclui os sindicatos das homologações de demissões, entre outros tópicos. Assim como no Congresso, o proposta contrapõe especialistas no assunto. "A reforma como um todo foi olhada sob um viés do empregador, com coisas boas e ruins para a sociedade. Mas o problema é que não conseguimos ter um debate forte sobre o tema. Foi uma reforma açodada. Não há dúvidas que os trabalhadores saem perdendo", disse Ricardo Guimarães, mestre em direito do trabalho e professor da PUC- SP. Já Adauto Duarte, conselheiro do Instituto Via Iuris de Direito do Trabalho, elogia: "Sob a ótica do direito coletivo achamos a proposta muito equilibrada, porque a prevalência do acordo sobre o legislado já tinha sido dada pelo STF. A novidade é a lista do que não pode ser negociado. De um lado protege o trabalhador e do outro, para quem negocia (seja sindicatos ou empresas) aumenta a segurança jurídica. As regras ficam mais claras".

Sala de aula descontrolada

Em vários momentos, o plenário da Câmara parecia uma sala de aula em que o professor não tinha o mínimo controle sobre os estudantes indisciplinados. Ninguém escutava o orador, vaias eram ouvidas a todo momento e Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente da Casa, se cansou de pedir respeito, sem êxito. Os gritos de Fora Temer eram constantes no plenário. O deputado Assis Melo (PCdoB-RS) chegou a usar um uniforme de metalúrgico, que é a sua profissão original, e foi repreendido por Maia enquanto protestava contra a reforma. A lógica do presidente da Câmara é que o regimento interno da Casa prevê que os parlamentares têm de usar traje passeio completo, ou seja, terno e gravata.
Os opositores à gestão Temer repetiram à exaustão que as mudanças nas leis trabalhistas retiram direitos dos trabalhadores. Por outro lado, os aliados do Governo defendiam que as alterações modernizam a legislação e facilitarão a criação de emprego quando vier a retomada econômica. O líder da oposição, José Guimarães (PT-CE), disparou: “Só faltou um artigo neste projeto de lei: está revogada a CLT a partir desse momento”. Ao que o deputado Nogueira respondeu: “Nenhum direito foi revogado. A reforma quer garantir igualdade para todos os trabalhadores brasileiros”.
Enquanto os debates se intensificavam, lobistas vinculados a sindicatos patronais e laborais transitavam entre os deputados no plenário pedindo que vários deles apresentassem emendas parlamentares ao projeto, algo similar ao que ocorreu na comissão especial que debateu o tema, na terça.
Um levantamento feito pelo site The Intercept Brasil concluiu que entre os principais interessados nessa reforma trabalhista estavam entidades que representam bancos, indústrias e o setor de transportes. O jornal online examinou as 850 emendas apresentadas por 82 deputados durante a discussão do projeto na comissão especial. Dessas propostas, 292 (34,3%) foram integralmente redigidas em computadores de representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT), da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). O relator, Rogério Marinho (PSDB-RN), segundo a reportagem acatou 52,4% das emendas. Na terça-feira, o EL PAÍS mostrou que lobistas da CNI municiavam deputados da comissão com algumas dessas emendas.

Defecções e cuidado redobrado

Apesar do placar expressivo, os principais partidos da base do Governo, que representam 313 votos, registraram 57 traições. Nenhuma dessas legendas votou totalmente fechada com a gestão Temer. Apenas para ficar nos maiores, que têm representantes em ministérios: dos 59 deputados votantes do PMDB, sete foram contra a reforma trabalhista. No PSDB, os números foram 44 votantes, um contrário. No PP, 43 votos, sendo nove contra. No PR, foram 7 defecções entre os 35 deputados. No PPS, três dos nove legisladores foram contrários. No PSB, 16 dos 30 parlamentares estiveram contra Temer. No PSD foram cinco dos 34. E no PTB, quatro entre 17.
Foi tendo como pano de fundo esse cenário que Temer quis se cercar de cuidados para garantir o resultado. Exonerou quatro de seus ministros que são deputados federais para não ter o risco de ter quatro votos a menos entre sua própria base. Retornaram à Câmara os ministros da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB-PE) e do Trabalho, Ronaldo Nogueira (PTB-RS).
O retorno de Nogueira foi cercado de simbolismo. Afinal, como ministro do Trabalho, ele queria dar o peso de seu cargo para dizer ao trabalhador que seus “direitos serão preservados”. Além disso, sua exoneração retirou o voto de Assis Melo, o deputado comunista que protestou usando o uniforme de metalúrgico. Melo é suplente de Nogueira na Câmara e a volta do ministro o retirou da lista de deputados.
A mesma medida, de exonerar os ministros, será adotada por Temer na semana que vem, quando até 13 ministros podem voltar ao Legislativo para votar a reforma da Previdência, na terça e na quarta-feira. Os dias de agenda frenética no Congresso estão só começando.

26 de abril de 2017

E AGORA? TEMER ACERTA R$ 65 MILHÕES EM PROPINAS COM A ODEBRECHT


TEMER ACERTA R$ 65 MILHOES M PROPINA COM A ODEBRECHT



Os comprovantes são de uma propina que delatores dizem ter sido acertada depois de uma reunião com o então candidato a vice e os ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e Henrique Eduardo Alves, todos do PMDB, em 2010.

É mais do que os US$ 40 milhões supostamente negociados na reunião com Temer e que já eram de conhecimento com base em informações dos executivos da empresa.

Odebrecht entrega extratos com propina de US$ 65 milhões acertada com Temer.

Os documentos estão de posse da equipe da força-tarefa da Operação Lava em Curitiba.

Planilhas apresentadas pelo delator Rogério Araújo confirmam o depósito do dinheiro sendo uma parte em contas no exterior em um banco no Caribe.

O depoimento confirma aquela versão de outro executivo Márcio Faria sobre o encontro em São Paulo, no escritório político do candidato a vice-presidente Michel Temer, em 2010. Rogério também participou desta mesma reunião.

Durante o encontro que durou cerca de 1 hora o delator afirma que Cunha disse que o contrato seria da Odebrecht porém o PMDB contaria com o dinheiro para campanha política. O que foi concordado por Michel Temer.

O acerto do contrato foi feito dentro da Petrobras com o engenheiro Aluísio Teles que pediu 3% do valor do contrato em propinas, os outros 4% seriam repassados ao PMDB e 1% foi destinado ao PT.

A Odebrecht ganhou o serviço para atuar na certificação de meio-ambiente em obras da Petrobras no exterior.

Em novo encontro Cunha exigiu que parte do pagamento devia ser feito antes da assinatura do contrato, o que não foi aceito.

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